quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Caixa preta da imprensa


*Este dossiê é muito sério e deve ser divulgado ostensivamente. Estou estarrecido. Quem se interessar na mudança deste país, e nela acreditar, acampe a luta, seja mais um guerreiro da liberdade, da democracia, da ampliação dos direitos, da destruição do poder que é controlados por poucos. Sei que somos mais e melhores do que eles.*
**

*O GOLPE DE ESTADO E A CAIXA-PRETA DA IMPRENSA***
ASSASSINATO, CORRUPÇÃO E JORNALISMO ALUGADO

Dossiê

Por Chico Nader, Morgana White e Alberto Salvador - Abril/2006

Em pouco mais de um ano de atividades, o JIBRA (Jornalistas Independentes
do Brasil), com sede oficial em Londres (UK) vem divulgando uma série de *
dossiês* que ajudam a explicar a *crise política brasileira*. Nosso trabalho
se insere numa ação de cidadania responsável que se destina a vencer o
bloqueio da censura imposta no Brasil pelos grandes veículos de comunicação,
controlados por algumas famílias e por poderosas organizações multinacionais
de mídia.

Nesse período, sofremos todo tipo de perseguições. No Brasil, nossos
colaboradores tiveram suas vidas devassadas. Computadores foram apreendidos
e contas de e-mail tiveram o sigilo quebrado, sempre com suporte dos
serviços de inteligência dos Estados Unidos da América, especialmente dos
funcionários "especiais" que trabalham em Brasília. Em Londres, recebemos
por várias vezes as visitas de agentes policiais e nossos telefones foram
grampeados. Talvez a exposição desses fatos ajude a explicar os episódios
que descreveremos em seguida.

* A morte de Jean Charles e o Golpe contra Lula

* Em 22 de Junho de 2005, o JIBRA fez publicar no CMI - Centro Midia
Independente um relato sobre a primeira tentativa de golpe contra o
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto está disponível até hoje em
http://www.midiaindependente.org/es/red/2005/06/320821.shtml. O trabalho
jornalístico narrava a origem do plano de desestabilização do governo Lula,
articulado pelas elites nacionais, com apoio tático e estratégico do governo
dos Estados Unidos da América. Todas as informações ali contidas foram, mais
cedo ou mais tarde, comprovadas por investigações independentes. Nosso
trabalho se tornou referência para estudos de outras conceituadas entidades
e órgãos de imprensa.

* See quotes
*:
http://www.americas.org/item_22207
.
http://www.lautjournal.info/autjourarchives.asp?article=2410&noj=244

A revelação das atividades do *Grupo Rio* desencadeou imediata reação dos
serviços de inteligência extra-nacionais, com violação de sigilos, escutas
clandestinas e interceptação de mensagens. Profissionais de imprensa
brasileiros sofreram constrangimentos ao serem incluídos na lista de
supostos informantes do JIBRA. Mesmo assim, em poucos dias, blogs e sites
pessoais fizeram com que o material se espalhasse pelas infovias.

Entretanto, demorou mais do que imaginávamos para que sofrêssemos o impacto
da reação. Em Lambeth (um dos London Boroughs), a jornalista Morgana White
utilizava-se havia tempos dos serviços de um brasileiro, indicado por
amigos, na realização de pequenos serviços em seu escritório doméstico. Seu
nome era Jean Charles de Menezes.

Sabe-se, hoje, pelos protocolos de investigação da Comissão Independente de
Investigação de Queixas da Polícia (CIIQ, in English), que a ação
desencadeada dentro da estrutura da *Operation Kratos* tinha por objetivo
responder à ação de supostos terroristas de esquerda brasileiros com base no
Reino Unido. A troca de mensagens entre as células de inteligência (US-UK)
exibe a exigência americana de uma ação imediata, com prazo de 30 dias para
a apresentação de resultados práticos.

* See more:

*
http://www.met.police.uk/foi/pdfs/policies/stop_and_search_s44_tact_2000_sop.pdf

Exatamente um mês depois de divulgado o texto do Jibra, em 22 de Julho de
2005, uma unidade mista de policiais e agentes anti-terrorismo britânicos,
treinados por Israel, executou Jean Charles de Menezes. Cumpriam o prazo! Na
avaliação equivocada dos IS britânicos, o brasileiro funcionava como
operador estratégico das ações do JIBRA. Um engano trágico que custou a vida
de um jovem honesto, sempre de bem com a vida, cheio de sonhos e aspirações.

Os depoimentos de Morgana White para seus companheiros jornalistas não deixa
dúvidas sobre as razões do assassinato, um misto de brutalidade e
incompetência. Ao mesmo tempo, suas explicações lançam luzes sobre os
mistérios que até hoje envolvem a morte do brasileiro (abaixo as
contradições e mentiras que marcam a investigação do caso).

http://mrzine.monthlyreview.org/seymour100805.html

http://antagonise.blogspot.com/2005/08/jean-charles-de-menezes-murder-lies.html

Vale informar que a carta de Morgana White, escrita já na Irlanda, comprova
seus contatos com Jean Charles e mostra que o rapaz *SABIA* que vinha sendo
espionado. O documento foi enviado às redações dos principais jornais
brasileiros, mas jamais foi divulgado.

Depois das primeiras manifestações do JIBRA sobre o assunto, em 29 de Março,
ameaças resultaram no pedido de demissão de Susan Atkins, chefe da Comissão
de Queixas contra a Polícia. Baixa na turma dos mocinhos; ponto para os
bandidos. Outro profissional sério da comissão, Laurence Lutsgarten, também
foi afastado de suas funções, vítima de uma armação da Polícia Metropolitana
de Londres. Motivo oficial: comportamento sexual inadequado.

*Brasil: A República dos Jornalistas Corruptos*

Há tempos, pede-se a abertura da Caixa Preta da imprensa brasileira. Nenhum
cidadão razoavelmente inteligente pode acreditar que a violenta campanha
para derrubar o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja realizada por
jornalistas somente seduzidos pela doutrina neoliberal e conservadora
difundida pelos quadros intelectuais da elite brasileira.

Há muito dinheiro correndo nos túneis subterrâneos do Golpe de Estado em
curso no Brasil. Boa parte desse dinheiro se destina a abastecer os
jornalistas e formadores de opinião recrutados pelo Grupo Rio.

Investigações independentes, realizadas de Setembro de 2005 a Março de 2006,
revelam que pelo menos 76 pessoas, entre jornalistas e outras
personalidades, foram agraciados por suas contribuições ao Golpe de Estado.
Certamente, há os que nada cobram, que se juntam à sedição por motivos
particulares ou por investirem em benefícios futuros.

Os bancos Nossa Caixa, Bank of Boston e Santander Banespa tem sido os
principais canais de repasse para a maior parte desses profissionais de
duplo emprego.

* Quem são os jornalistas empenhados em instaurar o terror no País

* A legião de colaboradores do Golpe de Estado se divide em três frentes
diferentes na mídia: 1) Jornalistas da grande imprensa; 2) Blogueiros e
articulistas "independentes"; 3) Formadores de opinião (analistas políticos,
artistas, etc...)

Os primeiros tratam de ecoar tudo que é supostamente negativo no governo do
Presidente Lula. Exageram, ofendem, instauram suspeitas e, a todo custo,
recorrem ao moralismo rasteiro para provocar indignação nos cidadãos. É o
caso do jornalista Ricardo Noblat.

Os segundos são utilizados geralmente para divulgar informações falsas,
parte da estratégia de terror utilizada na desestabilização do País. Por
serem menos facilmente enquadráveis, realizam o trabalho sujo de poluição
informativa. É o caso de Claudio Humberto.

Os terceiros são cooptados das mais diferentes formas, nem sempre
presenteados com dinheiro. Na farsa midiática, servem para criar uma ilusão
de caos institucional, de decepção geral e indignação contra o governo. É o
caso do ator Lima Duarte, tradicionalmente ligado ao tucanismo; de um
conhecido humorista; do deputado Fernando Gabeira; do presidente da OAB
(Ordem dos Advogados do Brasil), de Roberto Busato, a quem foi prometido o
cargo de Ministro da Justiça em eventual futuro governo do PSDB-PFL; do
"oabista" Orlando Maluf Haddad, cuja má índole é equivalente a sua
capacidade de acumular patrimônio; e da analista de assuntos políticos Lucia
Hipólito.

* Como ganhar dinheiro fácil

* Para alguns desses jornalistas e formadores de opinião, o ofício sempre
foi uma prática de comércio apartada de valores morais ou de condutas
éticas. É o caso do "empoado" Augusto Nunes, do Jornal do Brasil, e de
Eurípedes Alcântara, da revista Veja.

O segundo esteve inúmeras vezes nos Estados Unidos, sempre participando de
simpósios do Departamento de Estado e do Departamento de Defesa para
jornalistas latino-americanos alinhados com as políticas de Washington.
Logicamente, Alcântara sempre foi retribuído por suas ações no sentido de
desmoralizar qualquer projeto ou personalidade da esquerda no Brasil.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos reproduz uma conversa telefônica
entre Alcântara e Donald Rumsfeld.

http://www.defenselink.mil/transcripts/2005/tr20050405-secdef2581.html

Um pequeno e cômico trecho mostra o tipo de jornalismo produzido pelo
escoteiro de Roberto Civita.

QUESTION (Alcântara): *Yeah, that would be my pleasure. I have been
watching close your role in the United States and I must say that I admire
you. You are so firm since the beginning. When they said they were going
there for the oil and then they said you were going there for your own
interests, and then, well, we see democracy spreading throughout the Arab
world. This is not a small thing, right?*
**
**
Outros jornalistas têm servido com fidelidade aos articuladores do Golpe de
Estado, como o blogueiro Fernando Rodrigues e o articulista Merval Pereira.
A norma é simples. Negar ou criticar qualquer sucesso da administração de
Luiz Inácio Lula da Silva. Os sucessos na Educação, como o Prouni, e na
promoção social, como o Bolsa Família, devem ser ignorados ou tratados com
ironia ácida. Toda suspeita deve ser concebida como verdade. Tudo que
representar dano à reputação do presidente e de seu partido deve ser
ampliado, se possível em tom de indignação cívica. No plano das alianças,
referências à Venezuela e a Hugo Chávez devem ser sempre negativas.

Os comentaristas e analistas seguem a mesma cartilha (um conjunto informal
de orientações conhecido como Bola7), produzida sob coordenação do
publicitário *Paschoal Fabra Neto*. É o caso de *Luciano Dias*, do IBEP,
aluno obediente do Grupo Rio. Vale acompanhar seu torto pensamento, expresso
no UOL (serviço do Internet do jornal Folha de S. Paulo).

* "De acordo com Dias, é irrelevante se o caseiro foi ou não comprado para
desmentir Palocci."

*
http://noticias.uol.com.br/uolnews/brasil/entrevistas/2006/03/24/ult2614u447.jhtm

* O jogo das contas bancárias milagrosas

* Ricardo Noblat, Fernando Rodrigues, Claudio Humberto, Augusto Nunes,
Merval Pereira, Otavio Cabral, Lucia Hipolito, Luciano Dias, Lilian Witte
Fibe, Mauro Calliari, Eurípedes Alcântara, Mario Sabino, André Petry, Diogo
Mainardi, entre outros, não citados porque se beneficiam de nossas
incertezas, figuram entre os alegres ganhadores da loteria do golpe. Cabe
aos bons jornalistas, descobrir quem os tem premiado.

* Para facilitar o trabalho, apresentamos alguns dados fundamentais: R$ 76
mil entre 10/2005 e 03/2006; R$ 234 mil entre 07/2005 e 03/2006; R$ 450 mil
entre 08/2005 e 03/2006; R$ 34 mil entre 07/2005 e 03/2006; R$ 906 mil entre
06/2005 e 03/2006; R$ 54 mil (em 10 parcelas) entre 05/2006 e 02/2006; R$
111 mil entre 08/2005 e 03/2006; R$ 432 mil entre 10/2005 e 03/2006; R$ 454
mil entre 10/2005 e 03/2006; R$ 32 mil entre 08/2005 e 03/2006; R$ 321 mil
em 12/2005; R$ 98 mil entre 07/2005 e 03/2006; R$ 132 mil entre 10/2005 e
03/2006; R$ 42 mil entre 10/2005 e 03/2006.

Interessante é que idêntico sistema de compra seletiva de jornalistas e
comunicadores tem sido registrado na Venezuela, no Paraguai e, mais
recentemente, no Peru. A comparação nas metodologias nos permite deduzir que
há uma inteligência operativa internacional por trás dos projetos de
desestabilização de governos.

* *Dados obtidos sem conhecimento do governo federal, a partir de esforços
de reportagem de ex-integrantes do Prime Suspectz, hoje voluntários do
JIBRA.*
* *
* Como corromper um caseiro

* A primeira tentativa foi comprar um par de belas garotas de programa de
Brasília. Como elas são decentes, negaram-se a servir ao Grupo Rio. A idéia
seguinte foi instrumentalizar o caseiro Francenildo Costa. Mas de onde veio
a inspiração? O senador *Antero Paes de Barros* (PSDB-MT) a recebeu de seu
compadre e financiador, o mega gangster "Comendador João Arcanjo", que já
havia se utilizado de expediente semelhante para destruir uma figura pública
em seu Estado.

Líder do crime organizado no Centro-Oeste do Brasil, o "Comendador" é,
desde 1994, um dos principais sócios do PSDB na região. O bolachudo Antero
Paes de Barros, por exemplo, recebeu em 2002 pelo menos 84 cheques de uma
factoring do bicheiro. O "Comendador" Arcanjo, sempre protegido pelo PSDB
local, é acusado de ser o mandante do assassinato de mais de 30 pessoas e da
mutilação punitiva de outras 50 pessoas.

* Crime e acobertamento: tradição do PSDB

* As ligações do "Comendador" com o PSDB não representam novidade. No
Amazonas, o senador tucano Arthur Virgílio é conhecido por suas ligações
excêntricas com a exploração de menores. Em Manaus, inúmeras testemunhas
confirmaram as denúncias contra o senador. A imprensa do Brasil, no entanto,
finge que nunca ouviu falar do assunto. Poucos sabem dos esforços de
Virgílio para salvar Omar Aziz (PFL) na CPI da Exploração Sexual de Crianças
e Adolescentes.

* Quem compra os jornalistas

* O sistema criado pelo PSDB e pelo PFL para a compra de jornalistas é
antigo. Seu idealizador foi o falecido ministro Sérgio Motta, o Serjão,
responsável por enorme série de falcatruas no reinado de Fernando Henrique
Cardoso. Segundo ele, a imprensa "comia na mão se farto fosse o grão".

Serjão fez escola, gerando uma série de articuladores de "contratos" com a
imprensa. Hoje, alguns militam nas fileiras de José Serra. Outros, no bando
do ex-governador alquimista da Opus Dei.

Pode-se dizer que boa parte das compras de jornalistas efetuadas na grande
imprensa teve como articulador o diretor financeiro do Instituto Sérgio
Motta, *Vladimir Antonio Rioli*. Ex-sócio de José Serra, parceiro do
ex-prefeito na prática costumeira do delito, Rioli é conhecido por sua folha
corrida.

See more:

http://www.terra.com.br/istoe/1704/brasil/1704_elo_perdido_capa.htm

Rioli, já condenado pela Justiça Federal, tem sido tradicional interlocutor
tucano em negociações com a Editora Abril, de Roberto Civita, e o Grupo
Folha, de Otávio Frias.

Details: Processo 2002.34.00.029731-6. Referência:
http://conjur.estadao.com.br/static/text/27803,1
Outro esforçado negociador tucano tem sido o jornalista *Reinaldo Azevedo*,
da revista "Primeira Leitura", cuja meta particular tem sido qualificar-se
como porta-voz da direita brasileira. Ainda que intelectualmente limitado e
dono de texto raso e confuso, Azevedo tem sido reverenciado pelos
reacionários brasileiros, a ponto de merecer referência no site *Mídia Sem
Máscara*, do filósofo "neonazista" Olavo de Carvalho. No mundo das
transações subterrâneas, Azevedo é conhecido pela avareza. Espírito
disciplinado de militante, procura pagar pouco por textos de interesse da
cúpula tucana.

A ala dos alquimistas teve em *Roger Ferreira* seu mais destacado
negociador. O ex-assessor de comunicação do governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin, atuou às claras nas grandes redações, a ponto de ser chamado de
"trintinha", numa alusão ao preço padrão pago por matérias especiais do
interesse de seu chefe.

Roger Ferreira, citado no dossiê elaborado pelo ex-gerente de marketing do
banco Nossa Caixa Jaime de Castro Júnior, coordenava o esquema do Palácio
dos Bandeirantes para beneficiar com verbas de publicidade uma série de
emissoras de rádio e TV, além de jornais e revistas. Ferreira foi ainda
interlocutor do governo paulista em tratativas com representantes do grupo *
Cisneros* (Venezuela) no Brasil. A corporação mantém uma parceria comercial
com o Grupo Abril, que publica *Veja*.

De acordo com o deputado estadual Afanásio Jazadji, do PFL, o governador
Alckmin chegou a negociar pessoalmente projetos inescrupulosos para dourar
sua imagem pública.

* Pelado na Marginal

*
Por fim, a ala alquimista conta também com o apoio do professor *Carlos
Alberto Di Franco*, membro ativo da seita católica direitista Opus Dei. Di
Franco, destacado para ministrar aulas ao candidato do PSDB à presidência da
República, é conhecido por aliciar jovens profissionais de imprensa para a
causa do grupo, conduzindo-os à Universidade de Navarra, na Espanha. Fora do
mundo da política, Di Franco é conhecido pelos hábitos excêntricos. Há
poucos anos, foi flagrado caminhando nu pela Marginal do Rio Pinheiros, uma
importante via expressa da Capital de São Paulo. Abordado por políciais, o
professor alegou que tinha sido assaltado e que os criminosos o haviam
obrigado a nadar nas poluídas águas curso fluvial.

* A reação da cidadania

* Os fatos estão devidamente expostos, "mastigadinhos", como dizem os
brasileiros. Cabe aos cidadãos de bem, especialmente aos jornalistas que
escaparam da sedução criminosa, reagir e reinstaurar o paradigma da ética
nas relações triangulares entre governo, mídia e sociedade. O JIBRA, esteja
onde estiver, continuará trabalhando para levar a informação exclusiva, nua
e crua ao povo do Brasil.

* Jibra - April, 2006 - Kinsale, Ireland.
*
http://lists.indymedia.org/pipermail/cmi-goiania/2006-April/0408-h0.html

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Golpe de Estado em Andamento no Brasil


[CMI-SSA] Golpe de Estado em Andamento no Brasil: Revelações Estarrecedoras
jornalistas independentes jornalistas em postmaster.co.uk
Arquivo X do Golpe (volume 1)

Como PSDB, Veja & CIA articulam segundo golpe de estado em sete anos. Uma história de assassinatos, corrupção, abuso de menores e roubo.

Como ocorre ciclicamente, inicia-se a fase final de mais um golpe de Estado na América Latina, desta vez destinado a depor o presidente Luís Inácio Lula da Silva, legitimamente eleito pelo povo brasileiro.

A exemplo do que ocorreu no Chile, em 1973, os neoliberais da elite pseudo-intelectual, os donos de latifúndios, os empresários da “imprensa” falida e os serviços de inteligência norte-americanos, preparam a derrubada do ex-metalúrgico Lula.

Os métodos do golpe, entretanto, se sofisticaram. Se Allende foi assassinado por projéteis de fogo, Lula está sendo envenenado por uma bem estudada campanha de desqualificação. Curiosamente, os “crimes” que lhe são atribuídos constituem-se em práticas criadas e mantidas por seus próprios inimigos.

O grupo de ataque ao governo foi apelidado de Grupo Rio. Não se trata de uma homenagem ao Estado, mas de uma referência à Rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, residência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O luxuoso e requintado apartamento foi palco das primeiras reuniões que traçaram a estratégia para o golpe de Estado. Na primeira assembléia, reuniram-se 13 pessoas. Na segunda, foram 19, incluindo um norte-americano que chegou num carro do consulado dos EUA em São Paulo. Depois do encontro, vários seguiram para uma casa de prazeres eróticos na Avenida Bandeirantes, nas imediações do aeroporto de Congonhas.

Em Português trôpego, o tal “gringo” teria falado mais sobre o presidente venezuelano Chavez do que sobre o plano para apear Lula do poder. A frase paradigmática de FHC neste dia teria sido: “É preciso paciência para desequilibrar, aos poucos; arrancar cada dedinho do pé do sátiro”. Alguns bateram palmas para aplaudir a frase mal construída, mas que definia o projeto de ação do grupo, que FHC (pretendendo-se galhofeiro) preferiu chamar de “célula Sorbonne”. Aliás, quando regado a bom vinho, o ex-presidente adora atribuir apelidos a seus desafetos: José Sarney é o “Morsa”, Itamar é o “Costinha” e Ciro Gomes é o “Parasita”.

Decidiu-se que tanques e canhões seriam substituídos por papel impresso e telas iluminadas. Poderosos senhores da comunicação foram chamados a integrar o grupo. Nessa época, o setor já vivia uma grave crise, com empresas atoladas em dívidas com bancos, à beira da insolvência. Os que não haviam se arrumado com o novo governo, tinham a chance de receber polpudas contribuições de apoiadores externos. Os aliados de primeira hora foram Roberto Civita, da Editora Abril, e a chamada banda podre da família Mesquita, os descendentes de Ruy Mesquita.

O falido e o ladrão doméstico

A idéia era destacar o clã Mesquita para uma luta prévia, destinada a desacreditar a prefeita Marta Suplicy. Os jornais da casa deveriam criar “pautas” para que o resto da imprensa corroesse a popularidade da prefeita. O projeto era fincar a bandeira do Grupo Rio em São Paulo a partir da eleição de José Serra.

Civita teria como incumbência fomentar uma ação nacional por meio da revista Veja. Civita e FHC mantêm antiga amizade. O grupo do ex-presidente ajudou a criar o modelo de ideologia que é propagada pela revista, uma colorida e didática cartilha neoliberal. Civita é conhecido por sua língua afiada e descontrolada. Certa vez, numa reunião com executivos do grupo, chamou Pelé de “negrinho do pastoreio”. Em outra ocasião, disse que a ex-ministra Erundina era “uma gabirua que fedia a merda”.

As histórias de Veja misturam roteiros de filmes sobre a Máfia com bizarrias hard-core. Durante muitos anos, o feitor de Civita em Veja foi o truculento Eduardo Oinegue Faro, uma espécie de Jason Blair brasileiro, capaz de “fazer (ou inventar) qualquer negócio”, seja para vender revista ou para destruir uma personalidade pública. Exagerado em suas doses, Oinegue foi transferido para a revista Exame. Há poucos meses, o “padrinho Civita” sofreu ao saber que seu pupilo o estava roubando, exatamente conforme nos roteiros dos filmes sobre a Cosa Nostra. Oinegue Faro estava embolsando mais de um milhão de Reais em negócios inescrupulosos com um lobista. Triste fim para uma história de confiança na “famiglia”.

O jornalista que tinha um “pepino” a resolver

O redator-chefe de Veja é outro protagonista de casos escabrosos. Depressivo crônico, tem fixação doentia pelo tema solidão. Vítima de impulsos suicidas, julga-se inferior e não devidamente reconhecido. Parte de sua conduta patológica gerou um livro interessante e revelador: o Antinarciso. Certa manhã, a secretária de Veja recebeu um telefonema insólito de Sabino, que estava num hotel fubango no centro de São Paulo. A dedicada funcionária teve de se desdobrar para encontrar um proctologista do hospital Albert Einstein. Foram três horas de angústia até que o especialista chegasse ao quarto 62. Quem quiser, pode checar. Mais uma eternidade até que o enorme pepino pudesse ser extraído do reto do jornalista.

Assassino pago em ouro

No caso do Grupo Estado, é de se admirar que a família tenha recorrido aos serviços de consultoria de um ex-funcionário para desenvolver seu plano de ação. O escolhido foi Antonio Marcos Pimenta Neves, ex-chefão do jornal O Estado, amante rejeitado que, em 2000, assassinou a ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide. Por quê? Porque Pimenta Neves sempre manteve uma relação de amizade com Fernando Henrique Cardoso. Aliás, o crime aconteceu exatamente em Ibiúna, município a 70 quilômetros de São Paulo, onde o ex-presidente tem uma de suas casas de campo.

Violador de crianças

Entre os articuladores políticos do golpe, a liderança da tropa de choque coube ao senador amazonense Arthur Virgílio, um homem que se confessa atraído pelo submundo. Virgílio é um alegre freqüentador de bordéis e tem queda por “carnes novas”. O líder do PSDB foi o carrasco da CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Graças a sua dedicada (e desesperada) atuação, o vice-governador do Amazonas, Omar Aziz (PFL), escapou da Justiça.

Os relatórios da comissão mostravam que Aziz era também cliente de uma rede de prostituição envolvendo adolescentes de até 16 anos. Em Manaus, o comparsa de Virgílio participava de um esquema de aliciamento de menores com a conhecida cafetina Cris. Os depoimentos da CPI traziam o depoimento de uma mãe que comprovava a exploração sexual de sua filha de 14 anos. Na época, Virgílio tentou negar que também tivesse presenteado a menina com jóias e dinheiro.

Espancador de mulheres

No Grupo do Rio, a alta intelectualidade está representada também por José Arthur Gianotti, uma espécie de Maquiavel tupinambá, cuja função é fornecer ao amigo FHC pílulas filosóficas que previnam contra eventuais crises de consciência. Gianotti é o homem das éticas relativas, o dourador de fins que justifiquem qualquer meio ignominioso de busca do poder. Homem de estresses e ego inflado, é daqueles que não admitem refutações, características conhecidas de seus “colegas” de Universidade de São Paulo. Anos atrás, durante um debate com a esposa, irritou-se e a espancou. A mulher acabou perdendo parcialmente a audição de um ouvido. De suas histórias escabrosas, esta é a que mais se ouve nos corredores da USP.

Favores sexuais garantem promoção

Vale dizer que o Grupo do Rio ganhou um poderoso membro, antes relutante. Trata-se do new-brain-playboy Otávio Frias Filho, um homem amargurado porque é visto como um “riquinho” e não como o intelectual vanguardista que julga ser. Nas últimas semanas, foi incumbido de gerar uma bomba. Depois de muito raciocinar, resolveu requentar uma denúncia publicada meses atrás pelo Jornal do Brasil. A reportagem precisava ser muito bem conduzida, a fim de que as frases certas fossem arrancadas do Sr. Roberto Jefferson. Dois jornalistas da Folha recusaram o serviço sujo.

Então, Frias Filho resolveu recorrer ao comércio doméstico. A repórter Renata Lo Prete (conhecida como Renatardada por alguns colegas) ganhou várias promoções às custas dos especializados serviços sexuais prestados a Frias Filho. Assim, a “namoradinha do chefe” subiu na carreira, apesar de suas evidentes limitações intelectuais. Lo Prete foi fiel a seus princípios e produziu o petardo contra o governo.

Cuspindo o filho bastardo

O Grupo Rio é, pelo menos, coerente. Reúne a malta brasileira em seu estado mais puro, pessoas de “bem” com a vida, endinheiradas e sem culpa. O guru Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, não se lamenta de expulsar para o exílio seu filho bastardo, resultado de uma relação adúltera com a jornalista Miriam Dutra. “Ela cheirava a cavala, e não resisti”, confessou certa vez a um amigo.

Logicamente, quase tudo que é relatado neste texto é de conhecimento da imprensa brasileira. No entanto, os escândalos da era FHC foram sempre devidamente varridos para debaixo do tapete. As denúncias de fraudes do caso Sivam foram abafadas pelo governo e pelos barões da imprensa. O mesmo ocorreu com os casos de suborno contidos na chamada Pasta Rosa. O então Procurador-Geral, Geraldo Brindeiro, recorreu ao jeitinho brasileiro para engavetar as denúncias. Agora, o que mais espanta foi a complacência da imprensa com a compra de votos para a mudança da Constituição que permitiu a reeleição de FHC. João Maia e Ronivon Santiago, Zila Bezerra, Osmir Lima e Chicão Brígido eram apenas a ponta do iceberg de um gigantesco sistema de corrupção gerenciado pelo PSDB.


Como sempre, a imprensa diminuiu a importância dos fatos, na mesma medida em que exagera qualquer irregularidade no governo Lula.

Como comprar um jornalista a preço de banana

Em todas essas ações, a CIA deu total apoio a seus parceiros do governo tucano (o governo do Apagão), inclusive com municiamento financeiro. Jornalistas e políticos foram comprados em verdadeiras operações de guerra, numa reedição das PP e Kukage, nas quais as ações jamais são atribuídas ao governo norte-americano, mas a outros grupos ou instituições. Muitas dessas ações são tão escancaradas que não exigem qualquer sigilo, conforme admite o ex-chefe do FBI no Brasil, Carlos Costa, em suas entrevistas a Carta Capital. As sedes do poder, em Brasília, estão grampeadas e os Estados Unidos monitoram o Brasil 24 por dia.

Um bilhete deixado na mesa de reunião do Grupo Rio estampava uma lista de formadores de opinião que deveriam ser convencidos a receber “suporte” do grupo externo. Alguns dos 31 (sobre) nomes eram: Rodrigues, Noblat, Gancia, Carmo, Fibe, Nunes, Alencar, Casoy, Marques, Schwartsman e Cony. A base para as ações de flerte seriam fornecidas pelos senhores Mac-Laughlin , Wilkinson e Rohter.

A farsa de Maurício Marinho

Nem o mais ingênuo dos corruptos recebe pagamentos em sua sala de trabalho, em bolos semelhantes àqueles manuseados por donos de postos de gasolina. Maurício Marinho, que é esperto demais, vendeu-se como ator e não como facilitador. Afinal, a “bola” é pequena demais para quem corre tanto risco.

Depois que a poeira baixar, MM certamente vai desfrutar de seu verdadeiro butim. Quem vê a fita com atenção, percebe que os atores estão mal treinados.

Assassinato de Luis Eduardo Magalhães: o primeiro golpe de Estado do Grupo Rio – 1998

O Grupo Rio não estava oficialmente constituído naquela época, mas seu núcleo duro já existia. À época, estava morrendo o velho “Serjão”, gerente de todo o sistema de corrupção e coleta de propinas do PSDB. Simultaneamente, uma nova estrela despontava no firmamento político: Luís Eduardo Magalhães. Segundo os analistas do governo, LEM tendia a se tornar um candidato imbatível nas eleições presidenciais. Além disso, o deputado confessara a amigos que no momento certo desbarataria a quadrilha que disseminava a corrupção por Brasília.

Morto “Serjão”, temeu-se que LEM desencadeasse uma pronta ação de limpeza no legislativo. Nesse momento, a articulação entre o governo e seus parceiros externos mostrou-se eficaz. A “inoculação” teria ocorrido, morbidamente, durante os serviços fúnebres do corruptor-mor. Os requintes da operação incluíram a prescrição de uma dose que permitisse a morte num 21 de Abril. A sofisticação simbólica tinha um motivo: uma assinatura sinistra. O serviço de assassinato encomendado a Newton Cruz por Maluf, em 1985, fora repassado a outro grupo. Tancredo Neves, assassinado, viria a morrer também num 21 de abril.

Uma semana depois da morte de Magalhães, um repórter de Veja em Brasília encontrou-se sigilosamente com um médico do Hospital Santa Lucia. O profissional admitiu que substâncias estranhas tinham sido encontradas no corpo do deputado. Depois de quinze dias, um laboratório do Rio de Janeiro analisou uma amostra enviada pela sucursal da revista. Sabe-se hoje que se tratava de um tipo de TCDD, um tetraclorodibenzeno-p-dioxina (Tetrachlorodibenzo-p-dioxin).

Esse veneno foi desenvolvido pelos russos, tempos atrás, e a divulgação de sua fórmula faz parte dos acordos de cooperação entre a CIA e os serviços de informação que sobraram da antiga KGB. Os espiões conhecem o produto como resultado das pesquisas do Laboratory N. 12. Variações da fórmula mataram Wolfgang Salus, em 1957, e Lev Rebet, também naquele ano. A chamada Kamera produziu também a arma química indetectável que matou Georgi Markov, em 1978. Boa parte dos segredos foi passada aos americanos por Oleg Kalugin, ex-KGB, que hoje vive nos Estados Unidos.

Um repórter e um editor de Veja levantaram a maior parte dos fatos e preparavam uma edição-bomba para o final de maio. Roberto Civita mandou engavetar a reportagem, segundo se sabe, a pedido de seus amigos no Palácio do Planalto.

Nos anos seguintes, a maior parte das pessoas que tiveram contato com LEM na UTI foram afastadas do Hospital Santa Lucia. Todos os fatos são facilmente comprováveis. Vale como pauta para os jornalistas de verdade.

· Vale ressaltar que por motivos incertos, o Grupo Rio jamais contou com o apoio das Organizações Globo.
· Agradecemos o apoio anônimo de um empresário gaúcho e de um político, sem os quais seria impossível a produção deste texto.

Chico Nader, Morgana White e Alberto Salvador, com colaboradores.
JIBRA – Jornalistas Independentes do Brasil - LONDON UK

http://lists.indymedia.org/pipermail/cmi-ssa/2005-June/0607-mm.html

sábado, 10 de maio de 2008

Marconi Perillo PSDB roubava para fazer caixa de campanha


Marconi está na área

O governador de Goiás se coloca como opção tucana à sucessão de Lula e cobra do PSDB um projeto nacional de desenvolvimento

Ronald Freitas


O governador de Goiás, Marconi Perillo, tem a exata noção de seu lugar na fila de candidatos do PSDBà sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ''Sei que hierarquicamente temos outras figuras no partido de grande relevo e de Estados mais expressivos'', reconhece. Mesmo assim, vislumbra a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2006, caso a aprovação ao governo do presidente permaneça em alta. Nesse cenário, há entre alguns tucanos a noção de que seria melhor perder as eleições com Marconi do que com uma estrela do porte do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Para Marconi, a simples candidatura a presidente já seria um gol. Além dos bons indicadores econômicos de Goiás - o PIBsaltou de US$17 bilhões em 1998 para US$40 bilhões em 2004 e o volume de exportações quadruplicou - o governador aposta em sua experiência em vitórias improváveis. Em 1998, ele derrotou o até então imbatível Íris Rezende (PMDB) na disputa pelo governo goiano. Tinha apenas 2% nas pesquisas de intenção de voto quando comprou a briga com o adversário, que liderava a corrida com 70%. Na semana passada, o governador recebeu ÉPOCA em seu gabinete para a entrevista a seguir.

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Em tópicos, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, listou as fraudes na campanha:Além do processo no STF, o governador e o senador devem responder a ação por crime eleitoral, provocada pelo Ministério Público Eleitoral. Nesse caso, se forem condenados, podem perder o mandato.

Perillo (PSDB) e Alcides(PP) ROUBANDO Goiânia


Em tópicos, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, listou as fraudes na campanha:

1 - Constatou-se adulteração de contratos de carros de som. Para o procurador-geral, houve fraude na alteração dos contratos de aluguéis desses veículos nas campanhas de Alcides e Perillo. Com a ajuda de Waldete Faleiros, contadora do diretório estadual do PSDB em Goiás, notas fiscais de gastos de Perillo com carros de som foram alteradas para a campanha de Alcides para justificar um erro logístico percebido no fim da eleição: não havia sido contabilizada legalmente nas contas de Perillo nenhuma doação para esse tipo de serviço.

2 - Utilização de caixa 2 por meio da Multcooper, uma empresa de serviços especializados, responsável pelo pagamento de funcionários dos dois candidatos. Para o Ministério Público, a prestação de contas mostrou que havia um contrato entre as duas campanhas e a Multcooper no valor de R$ 711 mil. Cada candidato deveria pagar metade, cerca de R$ 355 mil. Entretanto, Marconi declarou à Justiça Eleitoral o pagamento de uma única parcela de R$ 416 mil, R$ 60 mil acima, o que seria indício de caixa 2. Há também o depoimento de um prestador de serviços da empresa, Vasco Melo Santos Camargo Junior, que recebeu o pagamento pelo seu serviço em dinheiro vivo, sem recibo ou contrato. As notas fiscais apreendidas da campanha de Alcides também mostram pagamento de R$ 600 mil a uma empresa chamada Cantagalo Comunicação Ltda. A despeito do alto valor, não existe esse pagamento na prestação de contas à Justiça.

3 - Utilização de notas frias - O procurador-geral Antonio Fernando acusa os dois candidatos de apresentarem uma série de notas frias para justificar gastos de campanha. Cabia à Waldete Faleiros contatar empresas para “regularizar” contas de campanha. Em uma interceptação telefônica feita pela Policia Federal, no dia 18 de dezembro de 2006, Waldete consegue realizar a fraude com o presidente da Multicooper, Genaro Herculano, de acordo com o MP.

Waldete - Eu preciso fazer uma operação em nome do PSDB, no valor de quinze mil, é possível?
Genaro - O que você precisa de mim?
Waldete - Uai, eu preciso de uma nota... e descontar o cheque.
Genaro - Tá, e os impostos, como é que você faz?
Waldete - Pois é, quanto que seria?
Genaro - Dá 16.33
Waldete - Bom, eu queria assim... na realidade são trinta, entendeu? Mas eu tava precisando fracionar.
Genaro - Mas o que é que seria? O que a gente vai colocar?
Waldete - Pois é, aí poderia ser locação de veículo.
Genaro - É, locação de veículo dá, porque eu tenho muito veículo.
Waldete - Eu só quero saber assim... como é que eu faço... Se você deposita o dinheiro e devolve...
Genaro - Faz igual aquele dia... Você traz o cheque e ela te devolve em dinheiro. Te devolve em dinheiro pra não ter problema.

Na mesma investigação, o procurador-geral aponta Lúcio Fiúza, administrador financeiro da campanha de Marconi, como seu cúmplice e homem de total confiança. Waldete liga para Fiúza no dia 20 de dezembro de 2006 para consultá-lo sobre notas frias de uma outra empresa, a Promix. Antonio Fernando afirma que fica “evidente” a participação de Marconi Perillo.

Waldete - Deixa eu falar com o senhor. Eu tô tendo dificuldade para conseguir aquele documento.
Lúcio - Hum.
Waldete - Mas me ocorreu uma idéia, vamos ver se o senhor concorda. É o Reinaldo (da Promix), ele tem um saldo devedor contábil lá no diretório. Eu não poderia... desfazer pra ele e ele...?
Lúcio - Uai... Eu não sei como é a confiabilidade, né?
Waldete - Pois é, foi por isso que eu te liguei.
Lúcio - Vamos pensar mais um pouco... Continua pensando por enquanto... Até eu pegar uma luz com o chefe.
Waldete - Tá. Porque aí não precisa nem nota entendeu? Só recibo.

4 - Ocultação de provas - Na denúncia do Ministério Público existe ainda a acusação de ocultação de provas contra Marconi Perillo, Waldete Faleiros e Lúcio Fiúza. Os diálogos interceptados no período de 8 e 12 de dezembro de 2006 mostram, de acordo com o MP, que os denunciados tiraram provas do comitê, a fim de obstruir investigação eleitoral. As provas teriam sido levadas para a casa de Marconi.

No dia 8 de dezembro, Waldete orienta Rodrigo, funcionários de um dos comitês, a esconder documentos e computadores.

Waldete - Agora que eu vi que tinha duas chamadas aqui. Pois é, era pra você sair daí, tirar o notebook, tirar os documentos...
Rodrigo - Deixa eu te falar, eles chegou de supetão, eles pegou os documentos do PSDB, viu.
Waldete - Pegou tudo?
Rodrigo - Pegou.
Waldete - Ai, meu Deus.

Mais tarde, no mesmo dia, Waldete conversa com Lúcio.

Lúcio - Por que só levaram computador?!
Waldete - Não. Levaram a documentação toda e os computadores.
Lúcio - A nossa documentação também?
Waldete - Não, a nossa tá comigo.
Lúcio - Tá certo. Deixa bem guardado, hein? Não tinha nenhum papel, nenhum rascunho.
Waldete - Não Dr. Lúcio, não tinha nada assim que comprometesse, a não ser por muita falta de sorte.

Interceptação do dia 3 de janeiro de 2007, escreve Antonio Fernando, revela que parte dos documentos subtraídos, inicialmente guardado em um cofre no Palácio das Esmeraldas, foi levado para a casa de Marconi Perillo.

5 - Uso da máquina pública - As provas colhidas durante a investigação, afirma o MP, revelam que Marconi Perillo e Alcides Rodrigues usaram servidores e bens públicos na campanha de 2006. De acordo com a investigação da Policia Federal, os seguranças usados nas campanhas eram policiais militares estaduais durante o horário do expediente.

No dia 2 de janeiro, uma interceptação telefônica entre Marconi Perillo e Lúcio Fiúza é resumida na denúncia. “Marconi avisa a Lúcio que pagou os funcionários da Fazenda e os seguranças, faltando agora o valor do salário dos sargentos que ele não sabe, diz que os sargentos vieram com uma conversa de ser 700,00, mas ele acha que é menos pois eles estão recebendo uma parte do governo”.

Além do processo no STF, o governador e o senador devem responder a ação por crime eleitoral, provocada pelo Ministério Público Eleitoral. Nesse caso, se forem condenados, podem perder o mandato.

MP denuncia Perillo e Alcides por caixa dois



Até quinze dias atrás, o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) (à direita) e o governador de Goiás, Alcides Rodrigues Filho (PP), formavam uma dupla de sucesso no mundo político. Depois de governar o estado por dois mandatos, acabando com o domínio do PMDB local, Perillo elegeu-se senador, em outubro de 2006, com 75% dos votos, e ainda transformou seu vice, o então desconhecido Alcides Filho, o “Cidinho”, em seu sucessor no governo. Na manhã de 28 de março, o Ministério Público Federal finalizou uma denúncia devastadora contra os dois. Num processo que tramita em segredo de Justiça, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, denunciou os políticos ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, caixa dois, uso da máquina pública e utilização de notas frias e laranjas para fraudar a eleição de 2006. Se for aceita pelo plenário do STF, a denúncia vai desafinar o sucesso da dupla goiana.

No documento de 16 páginas, ao qual ÉPOCA teve acesso com exclusividade, o procurador-geral descreve uma investigação da Polícia Federal que produziu cinco CDs com escutas telefônicas de uma dezena de pessoas, relacionadas em seis volumes. A denúncia foi distribuída ao ministro Ricardo Lewandowsky, que será o relator no plenário do STF. Por meio das escutas, a Polícia Federal detectou um esquema para transferir recursos da campanha de Cidinho para a de Perillo, e depois tentar encobrir essa manobra ilegal por meio de notas frias. As acusações mais graves são contra Perillo, suspeito de ter voado durante a campanha em aviões do governo do estado e ter utilizado policiais militares como seguranças pessoais. Por isso, o senador é acusado do crime de peculato (apropriação ilegal de recursos públicos), com pena de até 12 anos de prisão.

“O senador Marconi Perillo e o governador de Goiás, Alcides Rodrigues, foram os mentores e principais beneficiários de um esquema de captação ilícita de recursos, utilização de notas frias, pagamentos de despesa de campanha por meio de 'laranjas' e outras fraudes eleitorais”, escreveu o procurador-geral Antonio Fernando. O advogado de Perillo, Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, diz que o procurador errou ao basear a denúncia nas escutas telefônicas sem ter ouvido antes os dois políticos. “Só lamento que eu não tenha sido ouvido pelo Ministério Público, porque já teria esclarecido o que fosse necessário”, afirmou Marconi Perillo, por meio de sua assessoria. “Estou absolutamente tranqüilo porque chequei, rechequei e fui muito exigente com a minha prestação de contas”, disse o senador. De acordo com a defesa, Perillo utilizou apenas aviões particulares na campanha. ÉPOCA procurou a assessoria e os advogados do governador Rodrigues, mas não obteve comentários sobre a denúncia até a noite desta quinta.



Revista Época: Link aqui

quinta-feira, 20 de março de 2008

Revista Fórum desmascara a 'moral de Arthur Virgílio'


Artigo publicado na edição deste mês da revista Fórum desmascara a "moral" do líder do PSDB no Congresso, Senador Arthur Virgílio. "O senador já confessou que fez caixa 2 em sua campanha, nunca explicou o mau uso de dinheiro público quando era prefeito de Manaus e tem interesses mais do que obscuros na Zona Franca", afirma a matéria, que o Vermelho reproduz abaixo, na íntegra.



Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado

Por Fábio Jammal Makhoul

Quem ouve o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) desfiar o rosário contra o governo Lula fica impressionado com a sua rigidez moral. Durante a crise política ele se mostrou indignado com as denúncias, disse por diversas vezes que não admite o uso de "dinheiro não contabilizado" em campanhas eleitorais e que Lula promoveu um "escandaloso esquema de corrupção no País".

Mas, a bem da verdade, Arthur Virgílio tem um conceito de corrupção que pode alcançar muita gente da oposição: "Difamações e hipocrisias também são uma certa forma de corrupção", escreveu em 29 de julho de 2000, em artigo publicado na Folha de S.Paulo. Na época deputado federal, Arthur Virgílio se posicionava no artigo contrário à instalação de uma CPI para investigar o chamado caso Eduardo Jorge. Considerava que a oposição queria "palanque inconseqüente", pois a Comissão só interessava aos "surfistas de plantão porque o tema é momentoso, rende notícias e, portanto, é bom estimulante para as candidaturas de outubro próximo".

Santo Agostinho

Se Arthur Virgílio considera hoje o caixa 2 - o cerne da crise que assolou o PT - um "escandaloso esquema de corrupção", sua própria conduta não é das mais elogiosas. Hoje a grande imprensa não lembra, mas no dia 19 de novembro de 2000, o Jornal do Brasil estampou uma confissão de Virgílio: "Em 1986, fui obrigado a fazer caixa 2 na campanha para o governo do Amazonas. As empresas que fizeram doação não declararam as doações com medo de perseguição política".

A confissão de Arthur Virgílio foi para o repórter Valdeci Rodrigues. A matéria, cujo título era "ilegalidade freqüente", tratava da denúncia de caixa 2 na campanha de reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Acusações à época diziam que FHC recebeu mais de R$ 10 milhões em doações que não foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Para defender o presidente, Virgílio declarou: "Vamos acabar com mocinhos pré-fabricados e bandidos preconcebidos. Neste país, o caixa 1 é improvável. A maioria das campanhas têm caixa 2".

Após a confissão, o repórter sublinhou que o então deputado "ficou tranqüilo porque esse crime eleitoral que cometeu está prescrito".

Fantasmas do passado

Denúncias de mau uso do dinheiro público também não faltaram quando Arthur Virgílio foi prefeito de Manaus (1989-1993). Uma delas ele conseguiu apagar, como mostrou a nota "Sorte de principiante", publicada na coluna Painel da Folha de S.Paulo, de 22 de novembro de 2001:

"O TCU absolveu Arthur Virgílio (Secretaria Geral) da acusação de uso indevido de recursos na Prefeitura de Manaus. O processo, que corria havia dez anos, foi definido na semana em que Virgílio assumiu o ministério".

Mas nem todas as digitais foram apagadas. Três anos depois - fora do governo -, nova acusação de uso indevido de dinheiro por parte do então prefeito de Manaus ressuscitava para puxar o pé de Virgílio. Em dezembro de 2004, a Corregedoria-Geral da União (CGU) lhe cobrou a restituição de R$ 154,7 mil aos cofres públicos (valores de novembro de 2003), por causa da falta de comprovação da aplicação de recursos transferidos pelo extinto Ministério do Interior à Prefeitura de Manaus em 1989.

O processo de cobrança era uma Tomada de Contas Especial. Segundo o Departamento de Liquidação do Ministério do Planejamento, a aplicação de uma parte dos recursos transferidos pela União para a perfuração de poços artesianos não havia sido comprovada pela Prefeitura de Manaus (165 mil cruzados novos, pela moeda da época).

Mas se você pensa que Virgílio foi tão crítico consigo quanto é com seus opositores, enganou-se. Para ele, a acusação - obra do "pérfido" Jose Dirceu - "é uma homenagem que me fizeram": "Já fui secretário-geral da Presidência, com poder de decidir sobre compras da Petrobras, e só acharam essa bobagem".

Sem conseguir apresentar as documentações para comprovar que o dinheiro fora usado nas obras destinadas, Arthur Virgílio se apoiou na aprovação das contas da sua gestão pelo "Tribunal de Contas do Amazonas (argumento pisado e repisado pelo ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf para atestar sua idoneidade). E conseguiu ver o processo arquivado.

Zona Franca

Não pense o leitor que a língua de Arthur Virgílio só é ferina quando se trata de seus adversários. Se os interesses do senador forem contrariados, nem seus correligionários escapam. Que o diga o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em 1997, FHC decidiu estadualizar o poderoso porto de Manaus e demitir o responsável pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Mauro Ricardo Machado Costa, que tinha o apoio do então deputado Virgílio.

Na prática, FHC retirava o poder das mãos do ninho tucano do Amazonas e entregava para o pior adversário político de Arthur Virgílio: o governador Amazonino Mendes (PFL-AM).

FHC se meteu em briga antiga. Desde o fim da década de 1970, políticos locais se especializaram em exercer poder de influência sobre a Suframa, órgão responsável pelo distrito industrial da capital amazonense. Mas só um ano antes da estadualização, em 1996, o chamado uso político da Suframa foi documentado pela primeira vez, quando o Ministério do Planejamento resolveu intervir na administração do órgão e realizar auditorias sobre suas práticas. Descobriu-se que contratos eram superfaturados e que o dinheiro destinado a investimentos (cerca de R$ 30 milhões anuais) era usado para fins tão diversos como pagar passagens de primeira classe para músicos que se apresentavam em Manaus.

Um ano depois, Amazonino Mendes conseguiu convencer FHC a lhe entregar o porto e a Suframa, alegando que os políticos locais ligados ao governo federal estavam tirando proveito da Zona Franca de Manaus. O principal acusado era o então deputado e secretário-geral de FHC, Arthur Virgílio, que devolvia as acusações contra Amazonino.

Mas Arthur Virgílio perdeu a batalha e FHC entregou o controle da Suframa, com seus R$ 13 bilhões de faturamento anuais, a Amazonino. Insatisfeito, o líder tucano mandou bilhete malcriado para o presidente, rascunhou uma carta pior ainda e atacou Fernando Henrique na imprensa, chamando-o de fraco e injusto.

Quer mais hipocrisias?

O senador foi um dos maiores críticos da então ministra da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, quando ela foi chamada à Comissão de Ética Pública do Poder Executivo para explicar sua participação em um encontro evangélico em Buenos Aires com recursos públicos.

Apesar de ter sido um dos mais ardorosos críticos de Benedita, Virgílio já esteve na mesma situação. Ele e outros cinco ministros e um presidente de estatal do governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo escreveu à época a jornalista Dora Kramer, em sua coluna no Jornal do Brasil, Arthur Virgílio foi dos que pior reagiu à ação da Comissão de Ética quando, em fevereiro de 2002, recebeu um pedido de explicações. Virgílio era titular da Secretaria-Geral da Presidência da República e, com seus colegas, freqüentou naquele carnaval camarotes de empresas privadas no sambódromo carioca. "Arthur Virgílio considerou um acidente a admoestação da comissão e tentou dizer que havia pago R$ 2.500 pelo convite. Foi contestado, já que as camisetas da empresa em questão não estavam à venda, pois eram, as próprias, o convite."

Assim age Arthur Virgílio. Condena nos outros os pecados que ele mesmo carrega. E com a língua afiada, acusa primeiro e investiga depois. Mas, como ele mesmo disse em outro artigo na Folha de S.Paulo, de novo para se posicionar contra a abertura de uma CPI, dessa vez sobre o caso do grampo no BNDES, em 28 de novembro de 1998: "Quem leu As bruxas de Salem sabe que a mentira e a caça às bruxas podem servir para imolar inocentes".

Texto reproduzido da Revista Fórum, nº 37, abril 2006
O senador foi um dos maiores críticos da então ministra da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, quando ela foi chamada à Comissão de Ética Pública do Poder Executivo para explicar sua participação em um encontro evangélico em Buenos Aires com recursos públicos.
Não pense o leitor que a língua de Arthur Virgílio só é ferina quando se trata de seus adversários. Se os interesses do senador forem contrariados, nem seus correligionários escapam. Que o diga o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Se Arthur Virgílio considera hoje o caixa 2 - o cerne da crise que assolou o PT - um "escandaloso esquema de corrupção", sua própria conduta não é das mais elogiosas. Hoje a grande imprensa não lembra, mas no dia 19 de novembro de 2000, o estampou uma confissão de Virgílio: "Em 1986, fui obrigado a fazer caixa 2 na campanha para o governo do Amazonas. As empresas que fizeram doação não declararam as doações com medo de perseguição política".


domingo, 24 de fevereiro de 2008

Reprovados


IstoÉ de 1996.

tigo de luxo, a honestidade é talvez o principal objeto de desejo do brasileiro hoje em dia. As sucessivas avalanches de denúncias que atingem políticos, empresários e até integrantes da Justiça estão conseguindo soterrar a imagem de instituições que são o sustentáculo da democracia, como o Congresso Nacional, o Poder Judiciário e o Executivo. Como um porta-voz do desalento que tomou conta do País, que há oito anos conseguiu varrer do poder um presidente acusado de corrupção, Pelé desabafou: “Estou com vergonha do Brasil.”

Será que é só ele? O atleta do século, que já experimentou o gosto amargo da política ao ocupar o cargo de ministro do Esporte, no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, fez um apelo para que o povo empunhe a sua arma mais vigorosa, o voto, para abater a praga da corrupção. “Só se ouve falar em desvio de verbas, roubalheira, políticos desonestos. Chegou a hora de o povo brasileiro reagir. E a melhor arma para isso é o voto”, conclamou, numa entrevista ao Jornal do Brasil, na última quarta-feira.

Um dos principais alvos da indignação geral, os políticos, em vez de tentar submergir do mar de lama, contribui para se afundar mais no imaginário popular. Um exemplo disso foi o show de baixarias e acusações mútuas trocadas, do alto da tribuna do Senado federal, por dois dos políticos mais proeminentes do País, os senadores Antônio Carlos Magalhães e Jader Barbalho (leia na pág. 32).

Termômetro do humor da população com relação à classe política, pesquisa nacional feita pelo Instituto Brasmarket, na primeira semana de abril, com 3.097 pessoas, revela uma descrença generalizada. Os senadores, por exemplo, em vez de se atracarem em plenário, deveriam tentar melhorar a sua imagem, que não anda nada bem: 55,8% dos entrevistados reprovam a atuação dos integrantes do Senado. O próprio ACM também sai chamuscado, já que 52,4% o rechaçam. “O quadro é gravíssimo.

Esse descrédito é um perigo porque as pessoas acabam achando que a democracia não faz diferença ou podem até chegar à conclusão de que na ditadura, por ser autoritária, se rouba menos. As pessoas perdem a convicção de que através da política possam melhorar a sociedade”, observou a cientista política Maria Vitória Benevides.

Sonho – As montanhas de denúncias de corrupção contra a administração Pitta (leia na pág. 34) também fermentaram o sentimento de indignação contra a roubalheira. Assim, a busca do político honesto é um sonho cada vez mais acalentado pela população. Mesmo os políticos considerados inteligentes, como o presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso, não escapam da rígida avaliação dos comuns.

Um dado curioso na pesquisa é que, apesar de ser aplaudido em duas atribuições – a inteligência em primeiro lugar e a capacidade, num segundo plano –, FHC foi reprovado nos quesitos honestidade e sinceridade: 47,5% dos entrevistados acreditam que a honestidade é uma qualidade que falta ao presidente da República e 59,2% não o consideram sincero. Mas, num sinal de que os políticos estão em baixa de uma maneira geral, nem mesmo a oposição pode sair às ruas festejando popularidade. Num cenário onde o presidente tem 42% de reprovação, o contraponto natural seria um alto índice de aprovação a seus adversários.

Mas não é isso o que a pesquisa mostrou: embora 39,7% deles aprovem os partidos de oposição, expressivos 37,2% dos entrevistados os rechaçam. “Mesmo os partidos de oposição têm uma avaliação pífia. A oposição não tem feito oposição. Perdeu a iniciativa. O governo tem enfrentado uma oposição maior dentro da sua própria base”, concluiu o diretor-presidente da Brasmarket, Ronald Kuntz.

Para o cientista político e professor da USP Fernando Haddad o dado surpreendente é que a população culpa mais o Legislativo do que o Executivo pelas mazelas do País. “Como se não bastasse o fato de o presidente da República estar mal posicionado e as oposições também não estarem muito bem, todas as outras instituições estão piores ainda.

No episódio da compra de votos para garantir a reeleição de FHC, por exemplo, a população viu com péssimos olhos a ação do presidente, mas encarou de forma muito mais negativa a atuação dos deputados que se venderam”, constatou. Nem a Justiça escapa à ira divina da população, já que 65,8% deu nota zero para sua atuação. “A confiança na Justiça nunca foi tão baixa. Depois da CPI do Judiciário e do episódio do teto salarial, o conceito da Justiça desabou”, observou Kuntz.

As investigações da CPI do Narcotráfico também vêm contribuindo para aumentar o ceticismo. Em mais uma semana de andanças pelo País, a CPI desembarcou no Amapá, rota da droga que segue para o Suriname e a Guiana, e se deparou com a corrupção e o tráfico de drogas enraizados nos Três Poderes.

Os deputados decidiram investigar, por suspeita de envolvimento com o narcotráfico, o presidente da Assembléia Legislativa, Fran Junior, e a presidente do Tribunal de Contas do Estado, Margareth Salomão Santana. Pelo mesmo motivo, foi decretada a prisão do empresário Sílvio Assis. Em Salgueiro (PE), maior centro distribuidor de maconha do Brasil, a CPI ouviu do ex-policial Manoel Soares de Freitas, o Falcon, preso em 1994 por tráfico de drogas, que o deputado estadual Eudo Magalhães (PFL) e seu irmão Enoelino Magalhães, ex-deputado, são líderes do crime organizado na Zona da Mata pernambucana.

Reação – Mas, num sinal de que nem tudo está perdido, a própria sociedade civil organizada começou a reagir. Os famosos caras-pintadas, que, em 1992, ocuparam as ruas do Brasil para pedir o impeachment de Collor, estão reeditando a sua versão ano 2000. Quatro entidades que reúnem estudantes secundaristas e universitários já organizaram duas manifestações nas ruas de São Paulo, desta vez protestando contra Celso Pitta. “Nós derrubamos um presidente e não conseguimos mudar a política.

Oito anos depois, em vez de avançarmos, nós retrocedemos. Se dizem que os anos 80 foram a década perdida para a economia, os anos 90 foram a década perdida para a política. Mas os caras-pintadas voltaram para exigir que a política se volte para os interesses do País”, disse Felipe Maia, 22 anos, vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).


Mais do que lutar pela punição dos corruptos, a sociedade já começa a lutar também para evitar que outros larápios conquistem o poder nas eleições municipais deste ano. Encabeçando um verdadeiro mutirão contra a corrupção estão entidades como a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A entidade conseguiu a aprovação, no Congresso Nacional, de um projeto de emenda popular que permitirá, pela primeira vez, a cassação das candidaturas de políticos que comprovadamente tenham tentado comprar votos de eleitores.

Trata-se da Lei nº 9.840, sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. “Essa lei poderá ter um efeito devastador. Até então, os políticos que compravam votos, mesmo que tivessem sido flagrados, continuavam concorrendo e só enfrentavam a Justiça muito depois de eleitos, ou até mesmo após os seus mandatos. O vereador Vicente Viscome, por exemplo, foi processado em 1992 e só foi condenado cinco anos depois porque deu transporte gratuito em ambulâncias para ganhar votos”, explicou o secretário executivo da CBJP, Francisco Whitaker. continua na próxima página veja Reprovados - Veja as tabelas e as Pesquisas


http://www.terra.com.br/istoe/1593/brasil/1593reprovados_texto.htm

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Atentado no Brasil


É cada vez mais ampla e escancarada a associação dos partidos golpistas (PSDB e PFL) e grupos radicais de extrema-direita. Skinheads participaram de atos contra o governo Lula em São Paulo, no último domingo. No Rio de Janeiro, grupos anti-desarmamento se uniram a militantes do PSDB numa manifestação para pedir a deposição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 21 de Junho, um grupo para-militar agrediu o repórter da Rede Globo Lucio Sturm na frente da sede do Partido dos Trabalhadores, em São Paulo. Os profissionais de apoio Gilmario Batista e Marçal Araújo também foram espancados. A idéia é instaurar um clima de conflito e vincular o Partido dos Trabalhadores à violência.

A violência passou a fazer parte do golpe, com ações públicas de provocação.

Senador Magalhães e o assassinato do filho


Como imaginado, recebemos e-mail do gabinete do senador Antonio Carlos Magalhães com um pedido de esclarecimentos sobre reportagem publicada no boletim número 1 do Jibra, referente ao assassinato de Luís Eduardo Magalhães. Depois de algumas tratativas virtuais, fornecemos um telefone no País de Gales. Recebemos a ligação, conforme combinado (tel. 61 – 311-2192), na quarta-feira, às 14 h (horário de Greenwich). O contato durou cerca de 13m01s e nos surpreendeu. Aparentemente, o assessor do velho parlamentar (que se apresentou como Orlando) já tinha conhecimento de vários detalhes do homicídio. Contribuímos no que foi possível. Ao final do contato, Orlando advertiu que o processo para apurar as denúncias deverá ser aberto em outra ocasião. Segundo ele, “Lula está para cair e Luís Eduardo pode esperar mais um pouco”.

Senador Arthur Virgílio e a prostituição infantil no Amazonas

Conforme esperado, recebemos uma série de denúncias referentes à participação do senador Arthur Virgílio (PSDB) no esquema de exploração de menores no Amazonas. Uma certa Mafalda no escreveu por uma conta do hotmail narrando as visitas de Virgílio a vários bordéis nas proximidades de Manaus. Segundo ela, de fato, o político tucano é um apreciador de “ararinhas jovens”. Mafalda, que afirma ter sido uma garota de programa dos 14 até os 22 anos, afirma que Virgílio mantinha contatos freqüentes com Dilcilane de Albuquerque Amorim, a Dil, uma conhecida aliciadora de menores da região.

Outro e-mail, enviado pela assistente social “Vilma”, afirma que Virgílio e Omar Aziz (vice-governador do Estado, do PFL) mantinham relacionamento de amizade com Darclei Cristina, uma conhecida cafetina de Manaus. De acordo com Vilma, o caso envolvendo o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Benício Tavares, tem a participação de Virgílio e Omar. “Eles é que convidavam o povo de Brasília e de São Paulo para brincar de boto com as mocinhas. Era um jeito de agradar os amigos lá do Sul”, escreveu. Tavares participou de uma orgia com quatro adolescentes a bordo do iate Amazonian, num passeio entre Manaus e Barcelos (AM). Em depoimento à delegada Maria das Graças da Silva, titular da Delegacia Especializada de Assistência e Proteção à Criança e ao Adolescente, várias meninas confirmaram a participação de Tavares no festim erótico. Embora houvesse provas do crime, a Câmara Legislativa do Distrito Federal decidiu arquivar o processo de cassação de seu presidente.

O Jibra sugere ao nobre senador Virgílio que esclareça ao povo brasileiro suas ligações como o grupo que promovia passeios de pesca até Barcelos. Também seria interessante que prestasse algum auxílio às famílias das meninas que morreram no naufrágio do barco Princesa Laura. Afinal, retornavam a Manaus depois de prestar serviços a importantes empresários e políticos da impoluta oposição. Foram vítimas de “acidente de trabalho”.

Alberto “Gol-de-mão”

Um dos e-mails recebidos fazia um justo protesto: entre os artífices do golpe, havia um esquecido, o nobre deputado Alberto Goldman, do PSDB paulista. Portanto, fazemos nosso mea culpa enquanto é possível. O parlamentar é adepto do “se não vai no jeito, vai na força”. É protagonista de uma das maiores farsas da história brasileira. Como relator da CPI do Proer, defendeu a tese de que a ajuda às inst financeiras era “inevitável”. Foi mestre ao encobrir todas as irregularidades cometidas pelo governo de FHC para dar suporte aos banqueiros falidos.

Criminosamente, o relatório final da comissão não apontou uma série de fraudes cometidas pelos bancos Nacional e Econômico. À boca pequena, afirma-se que “gol-de-mão” recebeu pelo menos cerca de R$ 2,5 milhão para poupar o governo tucano e os bancos privados.

Gold (ouro) Man (homem).

O Jornal do Brasil e os traficantes cariocas

Numa época de cinismo e hipocrisias, tornam-se redundantes o cinismo e a hipocrisia denunciados pela pena vigorosa de Augusto Nunes, capitão do Jornal do Brasil, o JB. Nunes é daqueles paladinos justiceiros, marketeiros dos atributos que julgam possuir, dos que se acreditam acima do bem e do mal. Afinal, julga o “empoado” escriba, que tudo se resolve com seu olhar penetrante de John Wayne tropical. Nos últimos dias, o JB esqueceu-se de que é tão somente um jornal. Investiu-se de poderes condenatórios. Analisa vagamente no lead, acusa no segundo parágrafo e expede a sentença no terceiro.

Orgulhoso de sua suposta onisciência, Nunes vê crime e omissão em todo lugar e, estranhamente, dá crédito a absolutamente tudo que vaza pela boca de Roberto Jefferson, o réu que mais acusa neste planeta. Por máxima ironia, até recentemente o jornalista considerava o deputado um mentiroso sem caráter. A propósito, vale lembrar o que Jefferson escreveu sobre Nunes, num passado não muito remoto, mensagem motivou processos e gerou ameaças:

“ (...) Não o contemplo com indulgência até porque você não merece. Indulgência se dá aos corajosos, lutadores ou perseguidos, não é o seu caso. Do que conheço de sua história, ela tem o enredo do "Pistoleiro da Mídia" aquele que vive para alugar a pena de acordo com seus interesses pecuniários. Sou admirador dos homossexuais assumidos, quanto àqueles que bebem e se tornam veados por algumas horas e no dia seguinte esqueceu do que praticou não me merece respeito.”

O jornalista respondeu prontamente a seu desafeto:

“ (...) O bilhete de Jefferson tornou-o objeto de ação penal por crime contra a honra, movida pelo signatário. Não custa lembrar ao ministro da Justiça que temos um pistoleiro confesso à solta no Legislativo. Só que esse tipo de gente apenas me diverte.

O currículo do nosso "atirador" informa que, até agora, Jefferson só matou a própria fome, usando gigantescas balas de chocolate. O texto do fax acrescenta que se trata de um assassino de vírgulas e atropelador de concordâncias (...)”.

Como o tempo é o senhor da razão, hoje seria justo dar crédito aos dois. Os jornalistas de verdade sabem que os dois não mentem, pelo menos um sobre o outro.

Não cabem novos comentários sobre o fanfarrão Jefferson, agora idolatrado pela imprensa e pelos nobres senhores do Grupo Rio. Mas cabe um adendo sobre Nunes, cujos artigos são implacáveis contra os que burlam a lei. Como se explica a relação amistosa de Nunes com o traficante Carlos José de Paula Barbosa, o Pepé? Fizessem com o “empoado” jornalista uma boa marcação, ainda que à distância, teríamos hoje um companheiro de peladas para Edinho, o filho de Pelé.

Certamente as mazelas do Rio também seriam minimizadas se os bons moços do Jornal do Brasil também se abstivesse m de negociar com os líderes do crime organizado. Marcinho VP, do morro Dona Marta, foi um dos principais fornecedores de brilho para a redação. Com isso, ganhou contatos, encurtou caminhos e se tornou uma celebridade. De repente, de escarafunchar, até Michael Jackson essa nessa história de ligações perigosas. Mas deixa pra lá, por enquanto.

Presidente da OAB afirma que será ministro em governo golpista

Há meses, o presidente da OAB, Roberto Busato, excede suas atribuições e serve como agressor público do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sem elegância, tenta de todas as maneiras incitar os homens da Justiça contra Lula. Desde a última semana, afirma a amigos que tem grandes chances de assumir o Ministério da Justiça no governo golpista a ser instalado no Brasil.


O golpe em outra fase
O Grupo Rio parecia inclinado a tornar-se mais discreto. No entanto, uma reunião realizada em Brasília entre os barões da mídia e estrategistas do PSDB e PFL parece ter definido novas atribuições para os golpistas. Agora, é tudo ou nada. Derrubamos ou perdemos a credibilidade.
O Estadão, por exemplo, deixa de ocupar-se somente das agressões e calúnias contra Marta Suplicy. É vez dos Mesquitas baterem duramente em tudo que tiver relação com o Governo Lula e com o PT. Acusar primeiro, apurar se conveniente. Nas manchetes, o jornal já demonstra que rompeu qualquer compromisso com a ética jornalística. Acusações pesadas iniciam as frases. Depois de uma vírgula, vem o “diz fulano”.
Aparentemente, a Folha amacia um pouquinho. Depois, retorna a plena carga. O grupo de ataque já não julga tão necessário esconder o complô, mas julga ainda importante manter o rodízio estratégico para o serviço mais sujo.
Na próxima edição:
Regime Militar e Tortura: a contribuição do delator Boris Casoy
Noblat e o comércio da notícia em Brasília
Para ler o Volume I:
http://www.midiaindependente.org/es/blue/2005/06/320493.shtml
JIBRA – Jornalistas Independentes do Brasil – London UK
** Comunicando pela ética **


http://lists.indymedia.org/pipermail/cmi-ssa/2005-June/0623-ti.html

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Nem ligue, corrupçao do passado é coisa da Historia


O ex presidente Fernando Henrique entrevistado pelo Globo , falando de corrupçao - "Precisamos passar o Brasil a limpo e temos que investigar tudo, mas sem perder o foco de que a crise é hoje". Separou - "O que aconteceu no passado, no meu Governo, é coisa da Historia". Sim, foi isso que ele disse, leia
http://www.bluebus.com.br/show.php?p=1&id=62662

Tesoureiro milionário


Quando entrou para o governo, Ricardo Sérgio declarou um patrimônio de R$ 1,4 milhão. Sete anos depois, o homem acusado de pedir propina de R$ 15 milhão na privatização da Vale do Rio Doce é sócio de um negócio de R$ 50 milhões


Ana D’Angelo
Do Estado de Minas
Gilberto Travesso/EM

Stand de vendas que está sendo construído no terreno de Ricardo Sérgio no Morumbi, em São Paulo. um conjunto de casas de luxo que soma R$ 50 milhões


Procuração da empresa Antares Participações Ltda ...


... cujo dono é o engenheiro Ronaldo de Souza ...

... concede a Ricardo Sérgio de Oliveira amplos poderes para gerir a empresa


De onde Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil e ex-tesoureiro das campanhas de José Serra ao Senado e à prefeitura de São Paulo, Ricardo Sérgio, tirou tanto dinheiro? Quando ele chegou ao governo, em 1995, declarou à Receita Federal um patrimônio de R$ 1,4 milhão, acumulado em mais de 20 anos de vida profissional no mercado financeiro. Durante sua passagem pelas entranhas do poder público, seu patrimônio começou a dar saltos expressivos. Em 1998, tinha passado para R$ 3,3 milhões. Declarados, é bom destacar. Para chegar a tal volume, declarou ter recebido naquele ano cerca de R$ 1,4 milhão em salários (do Banco do Brasil), aplicações e lucros de suas empresas, a corretora RMC e a Planefin. Em 1999, já tinha bala na agulha para comprar prédios de R$ 11 milhões. É uma capacidade de multiplicação de fazer inveja ao megainvestidor George Soros.

A multiplicação milionária, porém, não pára aí. No próximo mês, Ricardo Sérgio terá nas mãos um negócio com potencial de R$ 50 milhões, que está em nome da Antares Participações Ltda.. Oficialmente, essa empresa pertence a Ronaldo de Souza. Mas ele passou uma procuração para Ricardo Sérgio concedendo-lhe ‘‘amplos poderes’’ para gerir a empresa, inclusive para remeter dinheiro para o exterior (como demonstram os fac-similes reproduzidos nesta página).

Propina de R$ 15 milhões

Ricardo Sérgio de Oliveira, 56 anos, é o personagem central de uma denúncia publicada na revista Veja desta semana que abala seriamente a candidatura do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra. De acordo com a denúncia, ele cobrou do empresário Benjamin Steinbruch uma propina de R$ 15 milhões pela compra da Companhia Vale do Rio Doce. No Banco do Brasil, Ricardo Sérgio foi o responsável por conceder cartas de fiança e montar consórcios com os fundos de pensão das estatais para as empresas que participaram das privatizações feitas pelo governo.

Ricardo Sérgio nega que tenha cobrado a propina. Mas os negócios imobiliários que começou a fazer depois que deixou o governo impressionam pelos números milionários. No setor imobiliário, está construindo um pequeno império, em parceria com seu antigo colega, o engenheiro Ronaldo de Souza. O primeiro imóvel foi um apartamento luxuoso em São Paulo, avaliado em R$ 1 milhão, para onde se mudou em abril de 1998. Em 1999, instalou sua empresa, a Planefin, e a Consultatum, de seu colega Ronaldo, em duas salas, que ocupam todo um andar de endereço nobre de São Paulo, nos Jardins, e que custaram R$ 900 mil. No mesmo ano, adquiriu dois prédios comerciais, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, por R$ 11 milhões, também em parceria com o amigo.

Tacada ousada

Agora, a dupla prepara-se para a tacada mais ousada. Eles participam, junto com a construtora Company Tecnologia de Construções, de um empreendimento imobiliário de R$ 50 milhões. É um condomínio residencial fechado no bairro chique do Morumbi, na capital paulista, que será lançado no mês que vem. São 52 casas de padrão médio a alto, com quatro quartos, duas suítes, home theater e outras mordomias. Custarão, cada uma, de R$ 600 mil a R$ 700 mil.

A obra no Morumbi está em fase de pré-lançamento. Operários começaram há duas semanas a sondagem do terreno. O estande de vendas já está sendo construído no local. As vendas estão a cargo da Lopes Consultoria Imobiliária. O lançamento será no mês que vem. As casas ficam prontas em 2004.

A dona do terreno, avaliado em R$ 17 milhões, é a Antares Participações Ltda, empresa constituída por Ronaldo de Souza em setembro de 1998, pouco mais de um mês depois da a privatização das empresas de telefonia. Um ano depois, a empresa se tornou subsidiária da Antar Venture Investments, que fica nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso paraíso fiscal do Caribe. A procuração para Ricardo Sérgio demonstra que ele atua como o verdadeiro dono da Antares.

O primeiro passo para o meganegócio foi dado em outubro de 1998, um mês antes de estourar o escândalo do grampo do BNDES que revelou os bastidores das privatizações. A Antares adquiriu um dos poucos terrenos que ainda existem no Morumbi disponíveis para empreendimentos imobiliários. São, na realidade, três áreas, que somam 28 mil metros quadrados, localizadas na rua Pedro Avancine, em frente ao vistoso prédio da seguradora Sul América. O imóvel pertencia ao fundo Sigma de investimento imobiliário, administrado pelo Banco Itaú.

Uma pechincha

À primeira vista, o negócio foi uma pechincha. A Antares pagou R$ 7,1 milhões, integralmente, por meio de DOC. Mas o terreno custa bem mais. Foi avaliado em cerca de R$ 17 milhões por especialistas e corretores de três construtoras grandes de São Paulo, a pedido do Estado de Minas.

O metro quadrado naquela região vale hoje em torno de R$ 600. Ao desembolsar apenas R$ 7,1 milhões, a Antares pagou o equivalente a R$ 253 o metro quadrado. Mais estranho ainda é quando se verifica o documento do imóvel no 15º Cartório de Registro. O imóvel foi vendido em novembro de 1996 pela Globo Comunicações e Participações (a Globopar) por R$ 22,5 milhões ao fundo imobiliário administrado pelo Itaú.

Conforme procuração lavrada no 27º Cartório de Notas de São Paulo, a Antares autorizou a Company a fazer a incorporação (promover e realizar a construção), registrar e vender o empreendimento. É uma parceria comum no mercado imobiliário. Nesse caso, há um contrato particular entre as duas empresas estabelecendo a parte de cada uma no negócio. Um dos sócios-diretores da Company, Walter Lafemina, confirmou que a Antares é ‘‘sócia’’ do emprendimento. Ele não quis revelar, porém, o tamanho da participação da empresa no negócio.

Ricardo Sérgio foi nomeado representante da Antares para administrar seus negócios em 9 de agosto de 2001, conforme atesta procuração no 16º Tabelião de Notas de São Paulo. Foi quando o projeto do empreendimento do condomínio começou a tomar forma.
Para o procurador Luiz Francisco de Souza, que investiga as denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito de Ricardo Sérgio, ‘‘todas as evidências e indícios, inclusive documentos, apontam que Ronaldo de Souza não passa de testa de-ferro’’ do ex-diretor do Banco do Brasil. ‘‘A dinheirama que Ricardo Sérgio vem movimentando é absolutamente suspeita’’, diz o procurador da República Luiz Francisco de Souza.

Ronaldo de Souza foi procurado por telefone em sua empresa, a Consultatum, no final da tarde de sexta-feira, mas não foi encontrado. Ricardo Sérgio também não deu retorno. Anteriormente, porém, Ricardo Sérgio dissera não ser dono ‘‘direta ou indiretamente’’ de empresa no exterior.

A história de uma propina


De acordo com a revista Veja, o empresário Benjamin Steinbruch queixou-se a várias pessoas que o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira cobrou uma propina de R$ 15 milhões na compra da Companhia Vale do Rio Doce.


Ricardo Sérgio era o responsável por reunir fundos de pensão de estatais para participar em consórcios em privatizações. Os R$ 15 milhões seriam uma espécie de ‘‘prêmio’’ por ter reunido os fundos que se associaram a Steinbruch na compra da Vale.


Duas das pessoas do governo a quem Steinbruch queixou-se deram entrevista a Veja: o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros e o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza.


Paulo Renato disse que Ricardo Sérgio informou a Steinbruch que pedia a propina ‘‘em nome de tucanos’’.


Ricardo Sérgio multiplicou seu patrimônio no período em que esteve no governo. Declaradamente, de R$ 1,4 milhão para mais de R$ 3 milhões. Ele, porém, está envolvido com negócios que ultrapassam os R$ 50 milhões.


Ricardo Sérgio foi caixa das campanha de José Serra para o Senado e para a prefeitura de São Paulo. Também foi arrecadador da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso em 1998.

http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020506/pri_pol_060502_195.htm

Ex-tesoureiro de Serra tem empresa em paraíso fiscal


Acusado de receber propina durante a privatização do sistema de telefonia, para favorecer o consórcio que comprou a Telemar, ex-diretor do BB comanda empresa com sede nas Ilhas Virgens



O ex-diretor do Banco do Brasil (BB) Ricardo Sérgio de Oliveira, acusado de receber propina na privatização do Sistema Telebrás, administra os negócios de uma empresa com sede em paraíso fiscal. Documentos da Junta Comercial de São Paulo revelam que o empresário Ronaldo de Souza, colega antigo e parceiro de Ricardo Sérgio em operações com fundos de pensão, é sócio de uma off-shore, como é conhecida esse tipo de empresa, com 99% do seu capital nas Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. A informação foi divulgada na edição de domingo do jornal Estado de Minas, em reportagem dos jornalistas Ana D’Angelo e Antônio Carlos Silveira.

Segundo a matéria, não é Ronaldo de Souza quem manda na sua parte na off-shore. Ricardo Sérgio recebeu procuração do parceiro, para administrar todos os negócios da empresa, o que inclui a eventual remessa de dinheiro para o exterior. A dupla já havia executado a mesma parceria e roteiro na operação envolvendo a aquisição de dois imóveis da Petros, do fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, revelada pelo também Estado de Minas na última quarta-feira.

Digitais
O ex-diretor do BB — que foi tesoureiro da campanha do senador José Serra à prefeitura de São Paulo em 1996 —, comprou metade de dois prédios do fundo, um no Rio de Janeiro e outro em Belo Horizonte, por meio da sua empresa Planefin. A outra metade foi comprada pela Consultatum, que está em nome de Souza. No entanto, Ricardo Sérgio e sua mulher, Elizabeth Salgueiro, receberam procurações de Souza para administrar a parte de Souza nos imóveis, inclusive uma conta-corrente no Banco Itaú.

As ‘‘digitais’’ da off-shore estão numa procuração registrada no 16º Cartório de Ofício de Notas de São Paulo. O documento relata que Ronaldo de Souza é sócio da Antares Participações Ltda., uma empresa do ramo imobiliário, que atua na incorporação, compra, venda e aluguel de imóveis. Ela foi criada em 9 de setembro de 1998, pouco mais de um mês depois da privatização das empresas do sistema Telebrás, com capital social de R$ 2 milhões. A mulher de Souza, a museóloga Vera Regina Freire de Souza, também era sócia. Ela detinha a maior participação: R$ 1,98 milhão. O marido possuía apenas R$ 20 mil.

Acerto de laranjas
Em 15 de dezembro de 1999, o capital da Antares foi ampliado para R$ 5 milhões, seis dias depois de Souza nomear Ricardo Sérgio para administrá-la. Nesse momento, a empresa sofreu sua mais importante mudança: ela se tornou subsidiária da Antar Venture Investments, para a qual vendeu a maior parte das suas cotas. A off-shore fica na Ilha de Tortola, uma das maiores e das mais belas das Ilhas Virgens Britânicas.

Vera Regina retirou-se do negócio e as cotas do marido na Antares Participações foram reduzidas para R$ 50 mil, exato 1%. A off-shore passou a deter, assim, R$ 4,95 milhões do capital existente na Antares (99%). Isso significa que Antar Venture dispõe dessa bolada aqui no Brasil. E pode levá-la a qualquer momento para o Caribe.

Embora tenha deixado de ser sócia, Vera Regina recebeu procuração do marido também para gerir a Antares, que fica no mesmo endereço da Consultatum, a outra empresa de Souza. Coincidentemente, as duas empresas dividem o mesmo andar com a Planefim, de Ricardo Sérgio, num prédio luxuoso da Alameda Santos, região nobre, de São Paulo.

Procurado na sexta-feira, Ricardo Sérgio mandou dizer, por meio de sua assessoria de imprensa, que não é dono, direta ou indiretamente, da Antares Participações. Questionado sobre a procuração, disse que ‘‘ela (a procuração) fala por si mesma’’. ‘‘O jornal me tratou como ‘laranja’ e eu não atendo ao jornal de vocês’’, limitou-se a dizer o empresário Ronaldo de Souza, localizado por telefone na sede da Consultatum e da Antares.


Entenda o caso

Investigação
O Ministério Público Federal abriu investigação, em 1999, para apurar a atuação de Ricardo Sérgio de Oliveira no processo de privatização das empresas de telefonia, em julho de 1998. Conversas gravadas por grampos telefônicos no BNDES, em novembro de 1998, revelaram articulações para a vitória de determinados consórcios. Como diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio emitiu cartas-fiança irregulares para diversos grupos, incluindo o Opportunity, de Daniel Dantas. Ele também pressionou os fundos de pensão a entrar no consórcio montado pelo empresário Carlos Jereissati, que levou a Tele Norte Leste, atual Telemar.

Propina
Em março de 1999, o então senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) acusou Ricardo Sérgio de ter recebido propina de cerca de R$ 90 milhões para ajudar o grupo de Jereissati. A ponte para viabilizar o pagamento teria sido a empresa Rivoli, subsidiária do grupo La Fonte, de Jereissati, que passou a deter participação de 3,58% na Tele Norte Leste, em março de 1999.

Caixa dois
A Receita Federal investiga as declarações de renda de oito pessoas que coletaram dinheiro para o caixa dois da reeleição de FHC. Entre as declarações estão as de Ricardo Sérgio. Ele movimentou R$ 4,5 milhões em 1998 e 1999, valor incompatível com seus rendimentos.

Ligações perigosas
Quando foi transferida para Carlos Jereissati a Rivoli teve seu capital aumentado para R$ 32 milhões. Em 26 de julho de 1999, a Rivoli passou 3,3% das suas cotas para as outras três sócias privadas da Telemar (Andrade Gutierrez, Macal e Inepar). Na mesma data, Luiz Rodrigues Corvo, advogado de Ricardo Sérgio, foi nomeado procurador da Rivoli. Com apenas 0,27% de participação no consórcio Telemar, a empresa foi incorporada pelo grupo La Fonte, em abril de 2000.

Prédios
Durante a existência da Rivoli na Telemar, Ricardo Sérgio adquiriu, em parceria com Ronaldo de Souza dois prédios comerciais do fundo Petros, no valor atual de R$ 13,7 milhões, em condições facilitadas de pagamento. A venda do primeiro prédio foi aprovada pela diretoria da gestão anterior da Petros em 11 de março de 1999, um dia após a transferência da Rivoli para Carlos Jereissati. O fundo aprovou a transferência do segundo prédio em 17 de agosto de 1999. Segundo o Ministério Público Federal, a coincidência das datas entre a Rivoli e as transações dos prédios são evidências da relação entre os dois fatos.

Sigilo pode ser quebrado

A legislação atual permite a quebra de sigilo bancário pela Receita Federal de empresas ligadas a off-shores sem necessidade de autorização judicial. A novidade foi introduzida pela Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001. Mas, para a medida ser aplicada, é necessário que haja indícios de suspeitas de operações irregulares.

Ter uma off-shore, ou seja, uma empresa em países classificados como paraíso fiscal, não é crime. Esses países são muito procurados porque têm uma tributação menor. A Secretaria da Receita Federal classifica como paraíso fiscal todos os países com tributação da renda abaixo de 20%. O órgão divulga periodicamente a lista desses paraísos. Atualmente, a relação contém mais de 40 países.

Legislação flexível
O problema é que esses países são, geralmente, usados para a lavagem de dinheiro de origem ilícita, como o narcotráfico, a corrupção e fraudes financeiras. Eles têm em comum o fato de possuir legislação societária e financeira mais flexível e sigilo bancário muito rígido. Há vários meios que impedem a identificação do verdadeiro dono dos recursos, como sistema de ações ao portador.

Os recursos saem do país por alguma via, não necessariamente legal, e retornam por meio de subscrição de capital feita pela off-shore na sua subsidiária brasileira. Assim, o dinheiro fica no Brasil de forma lícita. Ou seja, limpo. Daí, a denominação de lavagem.

http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020415/pri_pol_150402_189.htm

PSDB é autuado em R$ 7 mi por notas frias.Receita detecta notas frias na campanha de Serra em 2002


Receita detecta notas frias na campanha de Serra em 2002
PSDB foi autuado em R$ 7 milhões e teve suspensa sua imunidade tributária

Segundo a auditoria, notas somam R$ 476 mil; PSDB nega haver irregularidades em suas contas e diz que o órgão federal age de má-fé

LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A Receita Federal detectou notas fiscais frias emitidas por uma empresa fantasma e por outra inidônea para o PSDB e a campanha à Presidência da República em 2002 do tucano José Serra, no valor de R$ 476 mil, segundo a Delegacia da Receita Federal de Brasília, que suspendeu a imunidade tributária do partido e o autuou em aproximadamente R$ 7 milhões.

A Folha obteve documentos sigilosos da auditoria nas contas tucanas e do auto de infração. A empresa inidônea é a Marka Serviços de Engenharia, que estava desativada desde janeiro de 1996 e pertence a Márcio Fortes, secretário-geral do PSDB (1999 a 2003) quando as notas foram emitidas. Em 2002, Fortes presidiu o comitê financeiro tucano nas eleições.

Dois dos cheques do PSDB nominais à Marka (total de R$ 94,7 mil) foram depositados na conta pessoal de Fortes. Houve também uma transferência eletrônica (R$ 44,5 mil) referente ao pagamento de uma nota fiscal da Marka para a conta de Margarete Licassali Lucindo, funcionária do PSDB.

Equipe especial de fiscalização constituída para esquadrinhar as contas de nove partidos foi ainda mais dura com o PSDB. Os auditores identificaram 15 notas frias, no valor de R$ 1,144 milhão, emitidas por quatro empresas, incluindo a Marka e a fantasma Gold Stone Publicidade e Propaganda.

"A empresa está baixada desde 09/01/1996, e as notas foram emitidas em 2001 e 2003. Não pode o partido alegar que agiu de boa-fé, isto é, que não sabia da situação baixada da empresa, pois o responsável pela empresa perante a Receita Federal é o sr. Marcio João de Andrade Fortes, que, à época, era secretário-geral do partido", destacaram os auditores.

Embora a Gold Stone tenha registrado que foi aberta em 1996, a Receita nunca conseguiu localizar a sede da empresa, ou seja, ela nunca existiu fisicamente. Também nunca recolheu um centavo de imposto.

No auto de infração, baseado na auditoria da equipe de fiscalização, a delegacia da Receita aceitou as explicações do partido em relação a outras duas empresas, Casablanca Service Provider e Aconchegante Editora e Eventos, que emitiram notas para o PSDB no valor total de R$ 668 mil em 2002, ano em que ambas as empresas declaram receita zero ao fisco- isto é, não recolheram nada de imposto, como se não tivessem funcionado naquele ano.

A delegacia da Receita entendeu nesses dois casos que irregularidades tributárias e eventual sonegação de impostos são de responsabilidade das empresas, e não do PSDB.
Em relação à Marka e à Gold Stone, contudo, a delegacia do fisco em Brasília manteve a constatação da equipe de fiscalização: a primeira não tinha idoneidade para emitir notas, e o PSDB não comprovou a efetiva prestação de serviços pela segunda.

A delegacia corroborou também a afirmação da auditoria de que houve distribuição de recursos do partido no caso do depósito na conta de Margarete, em desrespeito ao Código Tributário Nacional, que rege a imunidade fiscal dos partidos políticos.
No jargão dos fiscais da Receita, notas frias são em geral emitidas para "acobertar despesas", isto é, escamotear a verdadeira finalidade do dinheiro.

O PSDB nega qualquer irregularidade e já entrou com recurso na Delegacia de Julgamento da Receita. Independentemente do resultado, a Receita deve encaminhar os ilícitos à Justiça Eleitoral, que pode cassar o registro do partido.

O secretário de Organização do PSDB, Eduardo Jorge, disse que não tem cabimento o trabalho da Receita, que o órgão está agindo "de má-fé" e acusou o PT de estar por trás do vazamento da informação para desviar o foco do escândalo dos cartões. Afirmou ainda que o PSDB vai provar a lisura das contas na Delegacia de Julgamento.
As investigações nas contas do PSDB fazem parte de uma devassa na contabilidade dos partidos iniciada pela Receita em 2005, após as denúncias de caixa dois do PT no escândalo do mensalão. Antes direcionada aos partidos da base aliada ao governo, beneficiários do mensalão, a auditoria foi estendida ao PSDB e ao DEM.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1902200802.htm

Ex-secretário do partido, Fortes é aliado de Serra


No buliçoso tucanato, o tesoureiro do partido, Márcio Fortes (RJ), tem lado: a tropa de choque do governador de São Paulo, José Serra (PSDB).
Além do laço político, Serra e Fortes costumam se encontrar quando um visita o Estado do outro. Primeiro-suplente de deputado pelo Rio, Fortes freqüenta o Palácio dos Bandeirantes nas viagens a São Paulo.

E não é só sua escolha para o comitê financeiro da campanha à Presidência que revela a proximidade com Serra. Em 2002, foi formalmente acusado pelo PFL, hoje DEM, de contratar arapongas para investigar a então governadora Roseana Sarney (MA), à época potencial candidata à Presidência.

Como secretário nacional do PSDB, função que exerceu até 2003, não raro era alvo de queixas no partido por supostamente tentar privilegiar Serra.
Apesar da proximidade, Fortes só teria avisado a Serra que as contas do partido seriam objeto de reportagem anteontem.
Herdeiro da João Fortes Engenharia -vendida no ano passado- Fortes foi, aos 34 anos, secretário-geral do Ministério da Fazenda em 1979, no governo de João Baptista Figueiredo.

Filiado ao PMDB de 1983 a 1994, Fortes foi presidente do Banerj de 1989 a 1991, no governo Moreira Franco.
Foi secretário de Obras da Prefeitura do Rio, em 1993, no governo Cesar Maia. Eleito deputado em 1994, já no PSDB, foi secretário da Indústria, Comércio e Turismo do Estado do Rio de 1996 a 1998, no governo de Marcello Alencar (PSDB).
Reelegeu-se em 1998. Em 2006, apesar dos gastos em campanhas (R$ 2.643.500), obteve apenas uma suplência.

FOLHA

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Denúncia do valerioduto poupa empresas


Banco e empreiteiras citados não são denunciados ao STF; para procurador, não era sua competência fazê-lo

HUDSON CORRÊA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Na denúncia do valerioduto tucano feita em novembro, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, afirmou que empreiteiras financiaram caixa dois do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), em 1998, com esquema de lavagem de dinheiro em parceria com o Banco Rural. Empreiteiras e o banco, porém, escaparam de ser denunciados ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo procurador.

Além do Banco Rural, a Egesa Engenharia e a Construtora Queiroz Galvão são citadas na denúncia. Via assessoria, Antonio Fernando disse que, no caso do valerioduto tucano, não era de sua competência denunciar as empreiteiras e o banco.
A responsabilidade de apurar e, se for o caso, denunciar será, diz Antonio Fernando, da Procuradoria da República em Minas Gerais, no caso do Banco Rural, e do Ministério Público Estadual, em relação às empreiteiras.

No denúncia, o procurador escreve: "O esquema [caixa dois] envolveu (...) repasse de verbas de empresas privadas com interesses econômicos perante ao Estado de Minas Gerais, notadamente empreiteiras e bancos, por intermédio da engrenagem ilícita arquitetada por (...) Marcos Valério (...) e utilização dos serviços profissionais e remunerados de lavagem de dinheiro".

O procurador-geral pode propor ações penais contra deputados federais, senadores, ministros, o vice-presidente e o presidente da República, incluindo empresas e pessoas participantes de crimes praticados por eles. A ação deve ser proposta ao STF.
No valerioduto tucano, foram denunciadas 15 pessoas, em novembro. Entre elas, o senador Azeredo, o ex-ministro de Relações Institucionais Walfrido dos Mares Guia, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza (pivô do mensalão petista) e seus sócios, além de diretores de estatais mineiras.
Se o STF aceitar a denúncia, vão responder a ação penal por peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro.

Em documento enviado ao STF junto com a denúncia, Antonio Fernando pediu que cópias do processo sejam enviadas à Procuradoria e ao Ministério Público Estadual de Minas Gerais para investigação do banco e das empreiteiras.

O procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior, disse, via assessoria, que até o último dia 22 não havia recebido o pedido de investigação e só poderá comentar após receber cópia do processo.

"Contudo, adiantou que tem informações de que o ministro Joaquim Barbosa [do STF] assinou o ofício endereçado ao Ministério Público na quarta-feira passada [no fim de dezembro]. Soares volta de férias no dia 8, quando o pedido já deverá ter chegado", disse a assessoria.

A Procuradoria da República em Minas Gerais está em recesso e, por isso, não foi possível saber se o processo chegou.

PF

Segundo relatório da PF (Polícia Federal), que apurou o valerioduto, seis empreiteiras fizeram doações ilegais a Azeredo: Erkal (R$ 101 mil), ARG (R$ 3 milhões), Queiroz Galvão (R$ 2,36 milhões), Egesa (R$ 1,8 milhão), Tratex (R$ 903,5 mil) e Servix (R$ 50 mil).

Conforme o procurador afirma na denúncia, "a investigação comprovou" que Marcos Valério e sócios, "em parceria principalmente com o Banco Rural, montaram um esquema de lavagem de dinheiro para financiar a campanha eleitoral de Azeredo em 1998".
"É circunstância comprovada que empresas privadas [empreiteiras] (...) enviaram recursos clandestinamente para a campanha por intermédio dos serviços de Marcos Valério."

Nesse ponto, o procurador cita que "uma dessas operações fraudulentas chegou a ser descoberta" em perícia da PF. Trata-se um empréstimo de R$ 7 milhões feito no Banco Rural pelo esquema de Marcos Valério para, segundo o procurador, abastecer caixa dois.

Trecho do laudo, reproduzido pelo procurador, diz que a Egesa Engenharia teria pago R$ 1,8 milhão do empréstimo. "Ocorre que (...) constatou-se operação que apresentou característica de simulação, a fim de ocultar a origem de recursos", diz o laudo. Ainda sobre o empréstimo, o laudo transcrito diz que outra parte do empréstimo foi quitado com cheque da Construtora Queiroz Galvão no valor de R$ 1 milhão.