quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Caixa preta da imprensa


*Este dossiê é muito sério e deve ser divulgado ostensivamente. Estou estarrecido. Quem se interessar na mudança deste país, e nela acreditar, acampe a luta, seja mais um guerreiro da liberdade, da democracia, da ampliação dos direitos, da destruição do poder que é controlados por poucos. Sei que somos mais e melhores do que eles.*
**

*O GOLPE DE ESTADO E A CAIXA-PRETA DA IMPRENSA***
ASSASSINATO, CORRUPÇÃO E JORNALISMO ALUGADO

Dossiê

Por Chico Nader, Morgana White e Alberto Salvador - Abril/2006

Em pouco mais de um ano de atividades, o JIBRA (Jornalistas Independentes
do Brasil), com sede oficial em Londres (UK) vem divulgando uma série de *
dossiês* que ajudam a explicar a *crise política brasileira*. Nosso trabalho
se insere numa ação de cidadania responsável que se destina a vencer o
bloqueio da censura imposta no Brasil pelos grandes veículos de comunicação,
controlados por algumas famílias e por poderosas organizações multinacionais
de mídia.

Nesse período, sofremos todo tipo de perseguições. No Brasil, nossos
colaboradores tiveram suas vidas devassadas. Computadores foram apreendidos
e contas de e-mail tiveram o sigilo quebrado, sempre com suporte dos
serviços de inteligência dos Estados Unidos da América, especialmente dos
funcionários "especiais" que trabalham em Brasília. Em Londres, recebemos
por várias vezes as visitas de agentes policiais e nossos telefones foram
grampeados. Talvez a exposição desses fatos ajude a explicar os episódios
que descreveremos em seguida.

* A morte de Jean Charles e o Golpe contra Lula

* Em 22 de Junho de 2005, o JIBRA fez publicar no CMI - Centro Midia
Independente um relato sobre a primeira tentativa de golpe contra o
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto está disponível até hoje em
http://www.midiaindependente.org/es/red/2005/06/320821.shtml. O trabalho
jornalístico narrava a origem do plano de desestabilização do governo Lula,
articulado pelas elites nacionais, com apoio tático e estratégico do governo
dos Estados Unidos da América. Todas as informações ali contidas foram, mais
cedo ou mais tarde, comprovadas por investigações independentes. Nosso
trabalho se tornou referência para estudos de outras conceituadas entidades
e órgãos de imprensa.

* See quotes
*:
http://www.americas.org/item_22207
.
http://www.lautjournal.info/autjourarchives.asp?article=2410&noj=244

A revelação das atividades do *Grupo Rio* desencadeou imediata reação dos
serviços de inteligência extra-nacionais, com violação de sigilos, escutas
clandestinas e interceptação de mensagens. Profissionais de imprensa
brasileiros sofreram constrangimentos ao serem incluídos na lista de
supostos informantes do JIBRA. Mesmo assim, em poucos dias, blogs e sites
pessoais fizeram com que o material se espalhasse pelas infovias.

Entretanto, demorou mais do que imaginávamos para que sofrêssemos o impacto
da reação. Em Lambeth (um dos London Boroughs), a jornalista Morgana White
utilizava-se havia tempos dos serviços de um brasileiro, indicado por
amigos, na realização de pequenos serviços em seu escritório doméstico. Seu
nome era Jean Charles de Menezes.

Sabe-se, hoje, pelos protocolos de investigação da Comissão Independente de
Investigação de Queixas da Polícia (CIIQ, in English), que a ação
desencadeada dentro da estrutura da *Operation Kratos* tinha por objetivo
responder à ação de supostos terroristas de esquerda brasileiros com base no
Reino Unido. A troca de mensagens entre as células de inteligência (US-UK)
exibe a exigência americana de uma ação imediata, com prazo de 30 dias para
a apresentação de resultados práticos.

* See more:

*
http://www.met.police.uk/foi/pdfs/policies/stop_and_search_s44_tact_2000_sop.pdf

Exatamente um mês depois de divulgado o texto do Jibra, em 22 de Julho de
2005, uma unidade mista de policiais e agentes anti-terrorismo britânicos,
treinados por Israel, executou Jean Charles de Menezes. Cumpriam o prazo! Na
avaliação equivocada dos IS britânicos, o brasileiro funcionava como
operador estratégico das ações do JIBRA. Um engano trágico que custou a vida
de um jovem honesto, sempre de bem com a vida, cheio de sonhos e aspirações.

Os depoimentos de Morgana White para seus companheiros jornalistas não deixa
dúvidas sobre as razões do assassinato, um misto de brutalidade e
incompetência. Ao mesmo tempo, suas explicações lançam luzes sobre os
mistérios que até hoje envolvem a morte do brasileiro (abaixo as
contradições e mentiras que marcam a investigação do caso).

http://mrzine.monthlyreview.org/seymour100805.html

http://antagonise.blogspot.com/2005/08/jean-charles-de-menezes-murder-lies.html

Vale informar que a carta de Morgana White, escrita já na Irlanda, comprova
seus contatos com Jean Charles e mostra que o rapaz *SABIA* que vinha sendo
espionado. O documento foi enviado às redações dos principais jornais
brasileiros, mas jamais foi divulgado.

Depois das primeiras manifestações do JIBRA sobre o assunto, em 29 de Março,
ameaças resultaram no pedido de demissão de Susan Atkins, chefe da Comissão
de Queixas contra a Polícia. Baixa na turma dos mocinhos; ponto para os
bandidos. Outro profissional sério da comissão, Laurence Lutsgarten, também
foi afastado de suas funções, vítima de uma armação da Polícia Metropolitana
de Londres. Motivo oficial: comportamento sexual inadequado.

*Brasil: A República dos Jornalistas Corruptos*

Há tempos, pede-se a abertura da Caixa Preta da imprensa brasileira. Nenhum
cidadão razoavelmente inteligente pode acreditar que a violenta campanha
para derrubar o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja realizada por
jornalistas somente seduzidos pela doutrina neoliberal e conservadora
difundida pelos quadros intelectuais da elite brasileira.

Há muito dinheiro correndo nos túneis subterrâneos do Golpe de Estado em
curso no Brasil. Boa parte desse dinheiro se destina a abastecer os
jornalistas e formadores de opinião recrutados pelo Grupo Rio.

Investigações independentes, realizadas de Setembro de 2005 a Março de 2006,
revelam que pelo menos 76 pessoas, entre jornalistas e outras
personalidades, foram agraciados por suas contribuições ao Golpe de Estado.
Certamente, há os que nada cobram, que se juntam à sedição por motivos
particulares ou por investirem em benefícios futuros.

Os bancos Nossa Caixa, Bank of Boston e Santander Banespa tem sido os
principais canais de repasse para a maior parte desses profissionais de
duplo emprego.

* Quem são os jornalistas empenhados em instaurar o terror no País

* A legião de colaboradores do Golpe de Estado se divide em três frentes
diferentes na mídia: 1) Jornalistas da grande imprensa; 2) Blogueiros e
articulistas "independentes"; 3) Formadores de opinião (analistas políticos,
artistas, etc...)

Os primeiros tratam de ecoar tudo que é supostamente negativo no governo do
Presidente Lula. Exageram, ofendem, instauram suspeitas e, a todo custo,
recorrem ao moralismo rasteiro para provocar indignação nos cidadãos. É o
caso do jornalista Ricardo Noblat.

Os segundos são utilizados geralmente para divulgar informações falsas,
parte da estratégia de terror utilizada na desestabilização do País. Por
serem menos facilmente enquadráveis, realizam o trabalho sujo de poluição
informativa. É o caso de Claudio Humberto.

Os terceiros são cooptados das mais diferentes formas, nem sempre
presenteados com dinheiro. Na farsa midiática, servem para criar uma ilusão
de caos institucional, de decepção geral e indignação contra o governo. É o
caso do ator Lima Duarte, tradicionalmente ligado ao tucanismo; de um
conhecido humorista; do deputado Fernando Gabeira; do presidente da OAB
(Ordem dos Advogados do Brasil), de Roberto Busato, a quem foi prometido o
cargo de Ministro da Justiça em eventual futuro governo do PSDB-PFL; do
"oabista" Orlando Maluf Haddad, cuja má índole é equivalente a sua
capacidade de acumular patrimônio; e da analista de assuntos políticos Lucia
Hipólito.

* Como ganhar dinheiro fácil

* Para alguns desses jornalistas e formadores de opinião, o ofício sempre
foi uma prática de comércio apartada de valores morais ou de condutas
éticas. É o caso do "empoado" Augusto Nunes, do Jornal do Brasil, e de
Eurípedes Alcântara, da revista Veja.

O segundo esteve inúmeras vezes nos Estados Unidos, sempre participando de
simpósios do Departamento de Estado e do Departamento de Defesa para
jornalistas latino-americanos alinhados com as políticas de Washington.
Logicamente, Alcântara sempre foi retribuído por suas ações no sentido de
desmoralizar qualquer projeto ou personalidade da esquerda no Brasil.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos reproduz uma conversa telefônica
entre Alcântara e Donald Rumsfeld.

http://www.defenselink.mil/transcripts/2005/tr20050405-secdef2581.html

Um pequeno e cômico trecho mostra o tipo de jornalismo produzido pelo
escoteiro de Roberto Civita.

QUESTION (Alcântara): *Yeah, that would be my pleasure. I have been
watching close your role in the United States and I must say that I admire
you. You are so firm since the beginning. When they said they were going
there for the oil and then they said you were going there for your own
interests, and then, well, we see democracy spreading throughout the Arab
world. This is not a small thing, right?*
**
**
Outros jornalistas têm servido com fidelidade aos articuladores do Golpe de
Estado, como o blogueiro Fernando Rodrigues e o articulista Merval Pereira.
A norma é simples. Negar ou criticar qualquer sucesso da administração de
Luiz Inácio Lula da Silva. Os sucessos na Educação, como o Prouni, e na
promoção social, como o Bolsa Família, devem ser ignorados ou tratados com
ironia ácida. Toda suspeita deve ser concebida como verdade. Tudo que
representar dano à reputação do presidente e de seu partido deve ser
ampliado, se possível em tom de indignação cívica. No plano das alianças,
referências à Venezuela e a Hugo Chávez devem ser sempre negativas.

Os comentaristas e analistas seguem a mesma cartilha (um conjunto informal
de orientações conhecido como Bola7), produzida sob coordenação do
publicitário *Paschoal Fabra Neto*. É o caso de *Luciano Dias*, do IBEP,
aluno obediente do Grupo Rio. Vale acompanhar seu torto pensamento, expresso
no UOL (serviço do Internet do jornal Folha de S. Paulo).

* "De acordo com Dias, é irrelevante se o caseiro foi ou não comprado para
desmentir Palocci."

*
http://noticias.uol.com.br/uolnews/brasil/entrevistas/2006/03/24/ult2614u447.jhtm

* O jogo das contas bancárias milagrosas

* Ricardo Noblat, Fernando Rodrigues, Claudio Humberto, Augusto Nunes,
Merval Pereira, Otavio Cabral, Lucia Hipolito, Luciano Dias, Lilian Witte
Fibe, Mauro Calliari, Eurípedes Alcântara, Mario Sabino, André Petry, Diogo
Mainardi, entre outros, não citados porque se beneficiam de nossas
incertezas, figuram entre os alegres ganhadores da loteria do golpe. Cabe
aos bons jornalistas, descobrir quem os tem premiado.

* Para facilitar o trabalho, apresentamos alguns dados fundamentais: R$ 76
mil entre 10/2005 e 03/2006; R$ 234 mil entre 07/2005 e 03/2006; R$ 450 mil
entre 08/2005 e 03/2006; R$ 34 mil entre 07/2005 e 03/2006; R$ 906 mil entre
06/2005 e 03/2006; R$ 54 mil (em 10 parcelas) entre 05/2006 e 02/2006; R$
111 mil entre 08/2005 e 03/2006; R$ 432 mil entre 10/2005 e 03/2006; R$ 454
mil entre 10/2005 e 03/2006; R$ 32 mil entre 08/2005 e 03/2006; R$ 321 mil
em 12/2005; R$ 98 mil entre 07/2005 e 03/2006; R$ 132 mil entre 10/2005 e
03/2006; R$ 42 mil entre 10/2005 e 03/2006.

Interessante é que idêntico sistema de compra seletiva de jornalistas e
comunicadores tem sido registrado na Venezuela, no Paraguai e, mais
recentemente, no Peru. A comparação nas metodologias nos permite deduzir que
há uma inteligência operativa internacional por trás dos projetos de
desestabilização de governos.

* *Dados obtidos sem conhecimento do governo federal, a partir de esforços
de reportagem de ex-integrantes do Prime Suspectz, hoje voluntários do
JIBRA.*
* *
* Como corromper um caseiro

* A primeira tentativa foi comprar um par de belas garotas de programa de
Brasília. Como elas são decentes, negaram-se a servir ao Grupo Rio. A idéia
seguinte foi instrumentalizar o caseiro Francenildo Costa. Mas de onde veio
a inspiração? O senador *Antero Paes de Barros* (PSDB-MT) a recebeu de seu
compadre e financiador, o mega gangster "Comendador João Arcanjo", que já
havia se utilizado de expediente semelhante para destruir uma figura pública
em seu Estado.

Líder do crime organizado no Centro-Oeste do Brasil, o "Comendador" é,
desde 1994, um dos principais sócios do PSDB na região. O bolachudo Antero
Paes de Barros, por exemplo, recebeu em 2002 pelo menos 84 cheques de uma
factoring do bicheiro. O "Comendador" Arcanjo, sempre protegido pelo PSDB
local, é acusado de ser o mandante do assassinato de mais de 30 pessoas e da
mutilação punitiva de outras 50 pessoas.

* Crime e acobertamento: tradição do PSDB

* As ligações do "Comendador" com o PSDB não representam novidade. No
Amazonas, o senador tucano Arthur Virgílio é conhecido por suas ligações
excêntricas com a exploração de menores. Em Manaus, inúmeras testemunhas
confirmaram as denúncias contra o senador. A imprensa do Brasil, no entanto,
finge que nunca ouviu falar do assunto. Poucos sabem dos esforços de
Virgílio para salvar Omar Aziz (PFL) na CPI da Exploração Sexual de Crianças
e Adolescentes.

* Quem compra os jornalistas

* O sistema criado pelo PSDB e pelo PFL para a compra de jornalistas é
antigo. Seu idealizador foi o falecido ministro Sérgio Motta, o Serjão,
responsável por enorme série de falcatruas no reinado de Fernando Henrique
Cardoso. Segundo ele, a imprensa "comia na mão se farto fosse o grão".

Serjão fez escola, gerando uma série de articuladores de "contratos" com a
imprensa. Hoje, alguns militam nas fileiras de José Serra. Outros, no bando
do ex-governador alquimista da Opus Dei.

Pode-se dizer que boa parte das compras de jornalistas efetuadas na grande
imprensa teve como articulador o diretor financeiro do Instituto Sérgio
Motta, *Vladimir Antonio Rioli*. Ex-sócio de José Serra, parceiro do
ex-prefeito na prática costumeira do delito, Rioli é conhecido por sua folha
corrida.

See more:

http://www.terra.com.br/istoe/1704/brasil/1704_elo_perdido_capa.htm

Rioli, já condenado pela Justiça Federal, tem sido tradicional interlocutor
tucano em negociações com a Editora Abril, de Roberto Civita, e o Grupo
Folha, de Otávio Frias.

Details: Processo 2002.34.00.029731-6. Referência:
http://conjur.estadao.com.br/static/text/27803,1
Outro esforçado negociador tucano tem sido o jornalista *Reinaldo Azevedo*,
da revista "Primeira Leitura", cuja meta particular tem sido qualificar-se
como porta-voz da direita brasileira. Ainda que intelectualmente limitado e
dono de texto raso e confuso, Azevedo tem sido reverenciado pelos
reacionários brasileiros, a ponto de merecer referência no site *Mídia Sem
Máscara*, do filósofo "neonazista" Olavo de Carvalho. No mundo das
transações subterrâneas, Azevedo é conhecido pela avareza. Espírito
disciplinado de militante, procura pagar pouco por textos de interesse da
cúpula tucana.

A ala dos alquimistas teve em *Roger Ferreira* seu mais destacado
negociador. O ex-assessor de comunicação do governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin, atuou às claras nas grandes redações, a ponto de ser chamado de
"trintinha", numa alusão ao preço padrão pago por matérias especiais do
interesse de seu chefe.

Roger Ferreira, citado no dossiê elaborado pelo ex-gerente de marketing do
banco Nossa Caixa Jaime de Castro Júnior, coordenava o esquema do Palácio
dos Bandeirantes para beneficiar com verbas de publicidade uma série de
emissoras de rádio e TV, além de jornais e revistas. Ferreira foi ainda
interlocutor do governo paulista em tratativas com representantes do grupo *
Cisneros* (Venezuela) no Brasil. A corporação mantém uma parceria comercial
com o Grupo Abril, que publica *Veja*.

De acordo com o deputado estadual Afanásio Jazadji, do PFL, o governador
Alckmin chegou a negociar pessoalmente projetos inescrupulosos para dourar
sua imagem pública.

* Pelado na Marginal

*
Por fim, a ala alquimista conta também com o apoio do professor *Carlos
Alberto Di Franco*, membro ativo da seita católica direitista Opus Dei. Di
Franco, destacado para ministrar aulas ao candidato do PSDB à presidência da
República, é conhecido por aliciar jovens profissionais de imprensa para a
causa do grupo, conduzindo-os à Universidade de Navarra, na Espanha. Fora do
mundo da política, Di Franco é conhecido pelos hábitos excêntricos. Há
poucos anos, foi flagrado caminhando nu pela Marginal do Rio Pinheiros, uma
importante via expressa da Capital de São Paulo. Abordado por políciais, o
professor alegou que tinha sido assaltado e que os criminosos o haviam
obrigado a nadar nas poluídas águas curso fluvial.

* A reação da cidadania

* Os fatos estão devidamente expostos, "mastigadinhos", como dizem os
brasileiros. Cabe aos cidadãos de bem, especialmente aos jornalistas que
escaparam da sedução criminosa, reagir e reinstaurar o paradigma da ética
nas relações triangulares entre governo, mídia e sociedade. O JIBRA, esteja
onde estiver, continuará trabalhando para levar a informação exclusiva, nua
e crua ao povo do Brasil.

* Jibra - April, 2006 - Kinsale, Ireland.
*
http://lists.indymedia.org/pipermail/cmi-goiania/2006-April/0408-h0.html

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Golpe de Estado em Andamento no Brasil


[CMI-SSA] Golpe de Estado em Andamento no Brasil: Revelações Estarrecedoras
jornalistas independentes jornalistas em postmaster.co.uk
Arquivo X do Golpe (volume 1)

Como PSDB, Veja & CIA articulam segundo golpe de estado em sete anos. Uma história de assassinatos, corrupção, abuso de menores e roubo.

Como ocorre ciclicamente, inicia-se a fase final de mais um golpe de Estado na América Latina, desta vez destinado a depor o presidente Luís Inácio Lula da Silva, legitimamente eleito pelo povo brasileiro.

A exemplo do que ocorreu no Chile, em 1973, os neoliberais da elite pseudo-intelectual, os donos de latifúndios, os empresários da “imprensa” falida e os serviços de inteligência norte-americanos, preparam a derrubada do ex-metalúrgico Lula.

Os métodos do golpe, entretanto, se sofisticaram. Se Allende foi assassinado por projéteis de fogo, Lula está sendo envenenado por uma bem estudada campanha de desqualificação. Curiosamente, os “crimes” que lhe são atribuídos constituem-se em práticas criadas e mantidas por seus próprios inimigos.

O grupo de ataque ao governo foi apelidado de Grupo Rio. Não se trata de uma homenagem ao Estado, mas de uma referência à Rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, residência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O luxuoso e requintado apartamento foi palco das primeiras reuniões que traçaram a estratégia para o golpe de Estado. Na primeira assembléia, reuniram-se 13 pessoas. Na segunda, foram 19, incluindo um norte-americano que chegou num carro do consulado dos EUA em São Paulo. Depois do encontro, vários seguiram para uma casa de prazeres eróticos na Avenida Bandeirantes, nas imediações do aeroporto de Congonhas.

Em Português trôpego, o tal “gringo” teria falado mais sobre o presidente venezuelano Chavez do que sobre o plano para apear Lula do poder. A frase paradigmática de FHC neste dia teria sido: “É preciso paciência para desequilibrar, aos poucos; arrancar cada dedinho do pé do sátiro”. Alguns bateram palmas para aplaudir a frase mal construída, mas que definia o projeto de ação do grupo, que FHC (pretendendo-se galhofeiro) preferiu chamar de “célula Sorbonne”. Aliás, quando regado a bom vinho, o ex-presidente adora atribuir apelidos a seus desafetos: José Sarney é o “Morsa”, Itamar é o “Costinha” e Ciro Gomes é o “Parasita”.

Decidiu-se que tanques e canhões seriam substituídos por papel impresso e telas iluminadas. Poderosos senhores da comunicação foram chamados a integrar o grupo. Nessa época, o setor já vivia uma grave crise, com empresas atoladas em dívidas com bancos, à beira da insolvência. Os que não haviam se arrumado com o novo governo, tinham a chance de receber polpudas contribuições de apoiadores externos. Os aliados de primeira hora foram Roberto Civita, da Editora Abril, e a chamada banda podre da família Mesquita, os descendentes de Ruy Mesquita.

O falido e o ladrão doméstico

A idéia era destacar o clã Mesquita para uma luta prévia, destinada a desacreditar a prefeita Marta Suplicy. Os jornais da casa deveriam criar “pautas” para que o resto da imprensa corroesse a popularidade da prefeita. O projeto era fincar a bandeira do Grupo Rio em São Paulo a partir da eleição de José Serra.

Civita teria como incumbência fomentar uma ação nacional por meio da revista Veja. Civita e FHC mantêm antiga amizade. O grupo do ex-presidente ajudou a criar o modelo de ideologia que é propagada pela revista, uma colorida e didática cartilha neoliberal. Civita é conhecido por sua língua afiada e descontrolada. Certa vez, numa reunião com executivos do grupo, chamou Pelé de “negrinho do pastoreio”. Em outra ocasião, disse que a ex-ministra Erundina era “uma gabirua que fedia a merda”.

As histórias de Veja misturam roteiros de filmes sobre a Máfia com bizarrias hard-core. Durante muitos anos, o feitor de Civita em Veja foi o truculento Eduardo Oinegue Faro, uma espécie de Jason Blair brasileiro, capaz de “fazer (ou inventar) qualquer negócio”, seja para vender revista ou para destruir uma personalidade pública. Exagerado em suas doses, Oinegue foi transferido para a revista Exame. Há poucos meses, o “padrinho Civita” sofreu ao saber que seu pupilo o estava roubando, exatamente conforme nos roteiros dos filmes sobre a Cosa Nostra. Oinegue Faro estava embolsando mais de um milhão de Reais em negócios inescrupulosos com um lobista. Triste fim para uma história de confiança na “famiglia”.

O jornalista que tinha um “pepino” a resolver

O redator-chefe de Veja é outro protagonista de casos escabrosos. Depressivo crônico, tem fixação doentia pelo tema solidão. Vítima de impulsos suicidas, julga-se inferior e não devidamente reconhecido. Parte de sua conduta patológica gerou um livro interessante e revelador: o Antinarciso. Certa manhã, a secretária de Veja recebeu um telefonema insólito de Sabino, que estava num hotel fubango no centro de São Paulo. A dedicada funcionária teve de se desdobrar para encontrar um proctologista do hospital Albert Einstein. Foram três horas de angústia até que o especialista chegasse ao quarto 62. Quem quiser, pode checar. Mais uma eternidade até que o enorme pepino pudesse ser extraído do reto do jornalista.

Assassino pago em ouro

No caso do Grupo Estado, é de se admirar que a família tenha recorrido aos serviços de consultoria de um ex-funcionário para desenvolver seu plano de ação. O escolhido foi Antonio Marcos Pimenta Neves, ex-chefão do jornal O Estado, amante rejeitado que, em 2000, assassinou a ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide. Por quê? Porque Pimenta Neves sempre manteve uma relação de amizade com Fernando Henrique Cardoso. Aliás, o crime aconteceu exatamente em Ibiúna, município a 70 quilômetros de São Paulo, onde o ex-presidente tem uma de suas casas de campo.

Violador de crianças

Entre os articuladores políticos do golpe, a liderança da tropa de choque coube ao senador amazonense Arthur Virgílio, um homem que se confessa atraído pelo submundo. Virgílio é um alegre freqüentador de bordéis e tem queda por “carnes novas”. O líder do PSDB foi o carrasco da CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Graças a sua dedicada (e desesperada) atuação, o vice-governador do Amazonas, Omar Aziz (PFL), escapou da Justiça.

Os relatórios da comissão mostravam que Aziz era também cliente de uma rede de prostituição envolvendo adolescentes de até 16 anos. Em Manaus, o comparsa de Virgílio participava de um esquema de aliciamento de menores com a conhecida cafetina Cris. Os depoimentos da CPI traziam o depoimento de uma mãe que comprovava a exploração sexual de sua filha de 14 anos. Na época, Virgílio tentou negar que também tivesse presenteado a menina com jóias e dinheiro.

Espancador de mulheres

No Grupo do Rio, a alta intelectualidade está representada também por José Arthur Gianotti, uma espécie de Maquiavel tupinambá, cuja função é fornecer ao amigo FHC pílulas filosóficas que previnam contra eventuais crises de consciência. Gianotti é o homem das éticas relativas, o dourador de fins que justifiquem qualquer meio ignominioso de busca do poder. Homem de estresses e ego inflado, é daqueles que não admitem refutações, características conhecidas de seus “colegas” de Universidade de São Paulo. Anos atrás, durante um debate com a esposa, irritou-se e a espancou. A mulher acabou perdendo parcialmente a audição de um ouvido. De suas histórias escabrosas, esta é a que mais se ouve nos corredores da USP.

Favores sexuais garantem promoção

Vale dizer que o Grupo do Rio ganhou um poderoso membro, antes relutante. Trata-se do new-brain-playboy Otávio Frias Filho, um homem amargurado porque é visto como um “riquinho” e não como o intelectual vanguardista que julga ser. Nas últimas semanas, foi incumbido de gerar uma bomba. Depois de muito raciocinar, resolveu requentar uma denúncia publicada meses atrás pelo Jornal do Brasil. A reportagem precisava ser muito bem conduzida, a fim de que as frases certas fossem arrancadas do Sr. Roberto Jefferson. Dois jornalistas da Folha recusaram o serviço sujo.

Então, Frias Filho resolveu recorrer ao comércio doméstico. A repórter Renata Lo Prete (conhecida como Renatardada por alguns colegas) ganhou várias promoções às custas dos especializados serviços sexuais prestados a Frias Filho. Assim, a “namoradinha do chefe” subiu na carreira, apesar de suas evidentes limitações intelectuais. Lo Prete foi fiel a seus princípios e produziu o petardo contra o governo.

Cuspindo o filho bastardo

O Grupo Rio é, pelo menos, coerente. Reúne a malta brasileira em seu estado mais puro, pessoas de “bem” com a vida, endinheiradas e sem culpa. O guru Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, não se lamenta de expulsar para o exílio seu filho bastardo, resultado de uma relação adúltera com a jornalista Miriam Dutra. “Ela cheirava a cavala, e não resisti”, confessou certa vez a um amigo.

Logicamente, quase tudo que é relatado neste texto é de conhecimento da imprensa brasileira. No entanto, os escândalos da era FHC foram sempre devidamente varridos para debaixo do tapete. As denúncias de fraudes do caso Sivam foram abafadas pelo governo e pelos barões da imprensa. O mesmo ocorreu com os casos de suborno contidos na chamada Pasta Rosa. O então Procurador-Geral, Geraldo Brindeiro, recorreu ao jeitinho brasileiro para engavetar as denúncias. Agora, o que mais espanta foi a complacência da imprensa com a compra de votos para a mudança da Constituição que permitiu a reeleição de FHC. João Maia e Ronivon Santiago, Zila Bezerra, Osmir Lima e Chicão Brígido eram apenas a ponta do iceberg de um gigantesco sistema de corrupção gerenciado pelo PSDB.


Como sempre, a imprensa diminuiu a importância dos fatos, na mesma medida em que exagera qualquer irregularidade no governo Lula.

Como comprar um jornalista a preço de banana

Em todas essas ações, a CIA deu total apoio a seus parceiros do governo tucano (o governo do Apagão), inclusive com municiamento financeiro. Jornalistas e políticos foram comprados em verdadeiras operações de guerra, numa reedição das PP e Kukage, nas quais as ações jamais são atribuídas ao governo norte-americano, mas a outros grupos ou instituições. Muitas dessas ações são tão escancaradas que não exigem qualquer sigilo, conforme admite o ex-chefe do FBI no Brasil, Carlos Costa, em suas entrevistas a Carta Capital. As sedes do poder, em Brasília, estão grampeadas e os Estados Unidos monitoram o Brasil 24 por dia.

Um bilhete deixado na mesa de reunião do Grupo Rio estampava uma lista de formadores de opinião que deveriam ser convencidos a receber “suporte” do grupo externo. Alguns dos 31 (sobre) nomes eram: Rodrigues, Noblat, Gancia, Carmo, Fibe, Nunes, Alencar, Casoy, Marques, Schwartsman e Cony. A base para as ações de flerte seriam fornecidas pelos senhores Mac-Laughlin , Wilkinson e Rohter.

A farsa de Maurício Marinho

Nem o mais ingênuo dos corruptos recebe pagamentos em sua sala de trabalho, em bolos semelhantes àqueles manuseados por donos de postos de gasolina. Maurício Marinho, que é esperto demais, vendeu-se como ator e não como facilitador. Afinal, a “bola” é pequena demais para quem corre tanto risco.

Depois que a poeira baixar, MM certamente vai desfrutar de seu verdadeiro butim. Quem vê a fita com atenção, percebe que os atores estão mal treinados.

Assassinato de Luis Eduardo Magalhães: o primeiro golpe de Estado do Grupo Rio – 1998

O Grupo Rio não estava oficialmente constituído naquela época, mas seu núcleo duro já existia. À época, estava morrendo o velho “Serjão”, gerente de todo o sistema de corrupção e coleta de propinas do PSDB. Simultaneamente, uma nova estrela despontava no firmamento político: Luís Eduardo Magalhães. Segundo os analistas do governo, LEM tendia a se tornar um candidato imbatível nas eleições presidenciais. Além disso, o deputado confessara a amigos que no momento certo desbarataria a quadrilha que disseminava a corrupção por Brasília.

Morto “Serjão”, temeu-se que LEM desencadeasse uma pronta ação de limpeza no legislativo. Nesse momento, a articulação entre o governo e seus parceiros externos mostrou-se eficaz. A “inoculação” teria ocorrido, morbidamente, durante os serviços fúnebres do corruptor-mor. Os requintes da operação incluíram a prescrição de uma dose que permitisse a morte num 21 de Abril. A sofisticação simbólica tinha um motivo: uma assinatura sinistra. O serviço de assassinato encomendado a Newton Cruz por Maluf, em 1985, fora repassado a outro grupo. Tancredo Neves, assassinado, viria a morrer também num 21 de abril.

Uma semana depois da morte de Magalhães, um repórter de Veja em Brasília encontrou-se sigilosamente com um médico do Hospital Santa Lucia. O profissional admitiu que substâncias estranhas tinham sido encontradas no corpo do deputado. Depois de quinze dias, um laboratório do Rio de Janeiro analisou uma amostra enviada pela sucursal da revista. Sabe-se hoje que se tratava de um tipo de TCDD, um tetraclorodibenzeno-p-dioxina (Tetrachlorodibenzo-p-dioxin).

Esse veneno foi desenvolvido pelos russos, tempos atrás, e a divulgação de sua fórmula faz parte dos acordos de cooperação entre a CIA e os serviços de informação que sobraram da antiga KGB. Os espiões conhecem o produto como resultado das pesquisas do Laboratory N. 12. Variações da fórmula mataram Wolfgang Salus, em 1957, e Lev Rebet, também naquele ano. A chamada Kamera produziu também a arma química indetectável que matou Georgi Markov, em 1978. Boa parte dos segredos foi passada aos americanos por Oleg Kalugin, ex-KGB, que hoje vive nos Estados Unidos.

Um repórter e um editor de Veja levantaram a maior parte dos fatos e preparavam uma edição-bomba para o final de maio. Roberto Civita mandou engavetar a reportagem, segundo se sabe, a pedido de seus amigos no Palácio do Planalto.

Nos anos seguintes, a maior parte das pessoas que tiveram contato com LEM na UTI foram afastadas do Hospital Santa Lucia. Todos os fatos são facilmente comprováveis. Vale como pauta para os jornalistas de verdade.

· Vale ressaltar que por motivos incertos, o Grupo Rio jamais contou com o apoio das Organizações Globo.
· Agradecemos o apoio anônimo de um empresário gaúcho e de um político, sem os quais seria impossível a produção deste texto.

Chico Nader, Morgana White e Alberto Salvador, com colaboradores.
JIBRA – Jornalistas Independentes do Brasil - LONDON UK

http://lists.indymedia.org/pipermail/cmi-ssa/2005-June/0607-mm.html

sábado, 10 de maio de 2008

Marconi Perillo PSDB roubava para fazer caixa de campanha


Marconi está na área

O governador de Goiás se coloca como opção tucana à sucessão de Lula e cobra do PSDB um projeto nacional de desenvolvimento

Ronald Freitas


O governador de Goiás, Marconi Perillo, tem a exata noção de seu lugar na fila de candidatos do PSDBà sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ''Sei que hierarquicamente temos outras figuras no partido de grande relevo e de Estados mais expressivos'', reconhece. Mesmo assim, vislumbra a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2006, caso a aprovação ao governo do presidente permaneça em alta. Nesse cenário, há entre alguns tucanos a noção de que seria melhor perder as eleições com Marconi do que com uma estrela do porte do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Para Marconi, a simples candidatura a presidente já seria um gol. Além dos bons indicadores econômicos de Goiás - o PIBsaltou de US$17 bilhões em 1998 para US$40 bilhões em 2004 e o volume de exportações quadruplicou - o governador aposta em sua experiência em vitórias improváveis. Em 1998, ele derrotou o até então imbatível Íris Rezende (PMDB) na disputa pelo governo goiano. Tinha apenas 2% nas pesquisas de intenção de voto quando comprou a briga com o adversário, que liderava a corrida com 70%. Na semana passada, o governador recebeu ÉPOCA em seu gabinete para a entrevista a seguir.

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Em tópicos, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, listou as fraudes na campanha:Além do processo no STF, o governador e o senador devem responder a ação por crime eleitoral, provocada pelo Ministério Público Eleitoral. Nesse caso, se forem condenados, podem perder o mandato.

Perillo (PSDB) e Alcides(PP) ROUBANDO Goiânia


Em tópicos, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, listou as fraudes na campanha:

1 - Constatou-se adulteração de contratos de carros de som. Para o procurador-geral, houve fraude na alteração dos contratos de aluguéis desses veículos nas campanhas de Alcides e Perillo. Com a ajuda de Waldete Faleiros, contadora do diretório estadual do PSDB em Goiás, notas fiscais de gastos de Perillo com carros de som foram alteradas para a campanha de Alcides para justificar um erro logístico percebido no fim da eleição: não havia sido contabilizada legalmente nas contas de Perillo nenhuma doação para esse tipo de serviço.

2 - Utilização de caixa 2 por meio da Multcooper, uma empresa de serviços especializados, responsável pelo pagamento de funcionários dos dois candidatos. Para o Ministério Público, a prestação de contas mostrou que havia um contrato entre as duas campanhas e a Multcooper no valor de R$ 711 mil. Cada candidato deveria pagar metade, cerca de R$ 355 mil. Entretanto, Marconi declarou à Justiça Eleitoral o pagamento de uma única parcela de R$ 416 mil, R$ 60 mil acima, o que seria indício de caixa 2. Há também o depoimento de um prestador de serviços da empresa, Vasco Melo Santos Camargo Junior, que recebeu o pagamento pelo seu serviço em dinheiro vivo, sem recibo ou contrato. As notas fiscais apreendidas da campanha de Alcides também mostram pagamento de R$ 600 mil a uma empresa chamada Cantagalo Comunicação Ltda. A despeito do alto valor, não existe esse pagamento na prestação de contas à Justiça.

3 - Utilização de notas frias - O procurador-geral Antonio Fernando acusa os dois candidatos de apresentarem uma série de notas frias para justificar gastos de campanha. Cabia à Waldete Faleiros contatar empresas para “regularizar” contas de campanha. Em uma interceptação telefônica feita pela Policia Federal, no dia 18 de dezembro de 2006, Waldete consegue realizar a fraude com o presidente da Multicooper, Genaro Herculano, de acordo com o MP.

Waldete - Eu preciso fazer uma operação em nome do PSDB, no valor de quinze mil, é possível?
Genaro - O que você precisa de mim?
Waldete - Uai, eu preciso de uma nota... e descontar o cheque.
Genaro - Tá, e os impostos, como é que você faz?
Waldete - Pois é, quanto que seria?
Genaro - Dá 16.33
Waldete - Bom, eu queria assim... na realidade são trinta, entendeu? Mas eu tava precisando fracionar.
Genaro - Mas o que é que seria? O que a gente vai colocar?
Waldete - Pois é, aí poderia ser locação de veículo.
Genaro - É, locação de veículo dá, porque eu tenho muito veículo.
Waldete - Eu só quero saber assim... como é que eu faço... Se você deposita o dinheiro e devolve...
Genaro - Faz igual aquele dia... Você traz o cheque e ela te devolve em dinheiro. Te devolve em dinheiro pra não ter problema.

Na mesma investigação, o procurador-geral aponta Lúcio Fiúza, administrador financeiro da campanha de Marconi, como seu cúmplice e homem de total confiança. Waldete liga para Fiúza no dia 20 de dezembro de 2006 para consultá-lo sobre notas frias de uma outra empresa, a Promix. Antonio Fernando afirma que fica “evidente” a participação de Marconi Perillo.

Waldete - Deixa eu falar com o senhor. Eu tô tendo dificuldade para conseguir aquele documento.
Lúcio - Hum.
Waldete - Mas me ocorreu uma idéia, vamos ver se o senhor concorda. É o Reinaldo (da Promix), ele tem um saldo devedor contábil lá no diretório. Eu não poderia... desfazer pra ele e ele...?
Lúcio - Uai... Eu não sei como é a confiabilidade, né?
Waldete - Pois é, foi por isso que eu te liguei.
Lúcio - Vamos pensar mais um pouco... Continua pensando por enquanto... Até eu pegar uma luz com o chefe.
Waldete - Tá. Porque aí não precisa nem nota entendeu? Só recibo.

4 - Ocultação de provas - Na denúncia do Ministério Público existe ainda a acusação de ocultação de provas contra Marconi Perillo, Waldete Faleiros e Lúcio Fiúza. Os diálogos interceptados no período de 8 e 12 de dezembro de 2006 mostram, de acordo com o MP, que os denunciados tiraram provas do comitê, a fim de obstruir investigação eleitoral. As provas teriam sido levadas para a casa de Marconi.

No dia 8 de dezembro, Waldete orienta Rodrigo, funcionários de um dos comitês, a esconder documentos e computadores.

Waldete - Agora que eu vi que tinha duas chamadas aqui. Pois é, era pra você sair daí, tirar o notebook, tirar os documentos...
Rodrigo - Deixa eu te falar, eles chegou de supetão, eles pegou os documentos do PSDB, viu.
Waldete - Pegou tudo?
Rodrigo - Pegou.
Waldete - Ai, meu Deus.

Mais tarde, no mesmo dia, Waldete conversa com Lúcio.

Lúcio - Por que só levaram computador?!
Waldete - Não. Levaram a documentação toda e os computadores.
Lúcio - A nossa documentação também?
Waldete - Não, a nossa tá comigo.
Lúcio - Tá certo. Deixa bem guardado, hein? Não tinha nenhum papel, nenhum rascunho.
Waldete - Não Dr. Lúcio, não tinha nada assim que comprometesse, a não ser por muita falta de sorte.

Interceptação do dia 3 de janeiro de 2007, escreve Antonio Fernando, revela que parte dos documentos subtraídos, inicialmente guardado em um cofre no Palácio das Esmeraldas, foi levado para a casa de Marconi Perillo.

5 - Uso da máquina pública - As provas colhidas durante a investigação, afirma o MP, revelam que Marconi Perillo e Alcides Rodrigues usaram servidores e bens públicos na campanha de 2006. De acordo com a investigação da Policia Federal, os seguranças usados nas campanhas eram policiais militares estaduais durante o horário do expediente.

No dia 2 de janeiro, uma interceptação telefônica entre Marconi Perillo e Lúcio Fiúza é resumida na denúncia. “Marconi avisa a Lúcio que pagou os funcionários da Fazenda e os seguranças, faltando agora o valor do salário dos sargentos que ele não sabe, diz que os sargentos vieram com uma conversa de ser 700,00, mas ele acha que é menos pois eles estão recebendo uma parte do governo”.

Além do processo no STF, o governador e o senador devem responder a ação por crime eleitoral, provocada pelo Ministério Público Eleitoral. Nesse caso, se forem condenados, podem perder o mandato.

MP denuncia Perillo e Alcides por caixa dois



Até quinze dias atrás, o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) (à direita) e o governador de Goiás, Alcides Rodrigues Filho (PP), formavam uma dupla de sucesso no mundo político. Depois de governar o estado por dois mandatos, acabando com o domínio do PMDB local, Perillo elegeu-se senador, em outubro de 2006, com 75% dos votos, e ainda transformou seu vice, o então desconhecido Alcides Filho, o “Cidinho”, em seu sucessor no governo. Na manhã de 28 de março, o Ministério Público Federal finalizou uma denúncia devastadora contra os dois. Num processo que tramita em segredo de Justiça, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, denunciou os políticos ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, caixa dois, uso da máquina pública e utilização de notas frias e laranjas para fraudar a eleição de 2006. Se for aceita pelo plenário do STF, a denúncia vai desafinar o sucesso da dupla goiana.

No documento de 16 páginas, ao qual ÉPOCA teve acesso com exclusividade, o procurador-geral descreve uma investigação da Polícia Federal que produziu cinco CDs com escutas telefônicas de uma dezena de pessoas, relacionadas em seis volumes. A denúncia foi distribuída ao ministro Ricardo Lewandowsky, que será o relator no plenário do STF. Por meio das escutas, a Polícia Federal detectou um esquema para transferir recursos da campanha de Cidinho para a de Perillo, e depois tentar encobrir essa manobra ilegal por meio de notas frias. As acusações mais graves são contra Perillo, suspeito de ter voado durante a campanha em aviões do governo do estado e ter utilizado policiais militares como seguranças pessoais. Por isso, o senador é acusado do crime de peculato (apropriação ilegal de recursos públicos), com pena de até 12 anos de prisão.

“O senador Marconi Perillo e o governador de Goiás, Alcides Rodrigues, foram os mentores e principais beneficiários de um esquema de captação ilícita de recursos, utilização de notas frias, pagamentos de despesa de campanha por meio de 'laranjas' e outras fraudes eleitorais”, escreveu o procurador-geral Antonio Fernando. O advogado de Perillo, Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, diz que o procurador errou ao basear a denúncia nas escutas telefônicas sem ter ouvido antes os dois políticos. “Só lamento que eu não tenha sido ouvido pelo Ministério Público, porque já teria esclarecido o que fosse necessário”, afirmou Marconi Perillo, por meio de sua assessoria. “Estou absolutamente tranqüilo porque chequei, rechequei e fui muito exigente com a minha prestação de contas”, disse o senador. De acordo com a defesa, Perillo utilizou apenas aviões particulares na campanha. ÉPOCA procurou a assessoria e os advogados do governador Rodrigues, mas não obteve comentários sobre a denúncia até a noite desta quinta.



Revista Época: Link aqui

quinta-feira, 20 de março de 2008

Revista Fórum desmascara a 'moral de Arthur Virgílio'


Artigo publicado na edição deste mês da revista Fórum desmascara a "moral" do líder do PSDB no Congresso, Senador Arthur Virgílio. "O senador já confessou que fez caixa 2 em sua campanha, nunca explicou o mau uso de dinheiro público quando era prefeito de Manaus e tem interesses mais do que obscuros na Zona Franca", afirma a matéria, que o Vermelho reproduz abaixo, na íntegra.



Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado

Por Fábio Jammal Makhoul

Quem ouve o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) desfiar o rosário contra o governo Lula fica impressionado com a sua rigidez moral. Durante a crise política ele se mostrou indignado com as denúncias, disse por diversas vezes que não admite o uso de "dinheiro não contabilizado" em campanhas eleitorais e que Lula promoveu um "escandaloso esquema de corrupção no País".

Mas, a bem da verdade, Arthur Virgílio tem um conceito de corrupção que pode alcançar muita gente da oposição: "Difamações e hipocrisias também são uma certa forma de corrupção", escreveu em 29 de julho de 2000, em artigo publicado na Folha de S.Paulo. Na época deputado federal, Arthur Virgílio se posicionava no artigo contrário à instalação de uma CPI para investigar o chamado caso Eduardo Jorge. Considerava que a oposição queria "palanque inconseqüente", pois a Comissão só interessava aos "surfistas de plantão porque o tema é momentoso, rende notícias e, portanto, é bom estimulante para as candidaturas de outubro próximo".

Santo Agostinho

Se Arthur Virgílio considera hoje o caixa 2 - o cerne da crise que assolou o PT - um "escandaloso esquema de corrupção", sua própria conduta não é das mais elogiosas. Hoje a grande imprensa não lembra, mas no dia 19 de novembro de 2000, o Jornal do Brasil estampou uma confissão de Virgílio: "Em 1986, fui obrigado a fazer caixa 2 na campanha para o governo do Amazonas. As empresas que fizeram doação não declararam as doações com medo de perseguição política".

A confissão de Arthur Virgílio foi para o repórter Valdeci Rodrigues. A matéria, cujo título era "ilegalidade freqüente", tratava da denúncia de caixa 2 na campanha de reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Acusações à época diziam que FHC recebeu mais de R$ 10 milhões em doações que não foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Para defender o presidente, Virgílio declarou: "Vamos acabar com mocinhos pré-fabricados e bandidos preconcebidos. Neste país, o caixa 1 é improvável. A maioria das campanhas têm caixa 2".

Após a confissão, o repórter sublinhou que o então deputado "ficou tranqüilo porque esse crime eleitoral que cometeu está prescrito".

Fantasmas do passado

Denúncias de mau uso do dinheiro público também não faltaram quando Arthur Virgílio foi prefeito de Manaus (1989-1993). Uma delas ele conseguiu apagar, como mostrou a nota "Sorte de principiante", publicada na coluna Painel da Folha de S.Paulo, de 22 de novembro de 2001:

"O TCU absolveu Arthur Virgílio (Secretaria Geral) da acusação de uso indevido de recursos na Prefeitura de Manaus. O processo, que corria havia dez anos, foi definido na semana em que Virgílio assumiu o ministério".

Mas nem todas as digitais foram apagadas. Três anos depois - fora do governo -, nova acusação de uso indevido de dinheiro por parte do então prefeito de Manaus ressuscitava para puxar o pé de Virgílio. Em dezembro de 2004, a Corregedoria-Geral da União (CGU) lhe cobrou a restituição de R$ 154,7 mil aos cofres públicos (valores de novembro de 2003), por causa da falta de comprovação da aplicação de recursos transferidos pelo extinto Ministério do Interior à Prefeitura de Manaus em 1989.

O processo de cobrança era uma Tomada de Contas Especial. Segundo o Departamento de Liquidação do Ministério do Planejamento, a aplicação de uma parte dos recursos transferidos pela União para a perfuração de poços artesianos não havia sido comprovada pela Prefeitura de Manaus (165 mil cruzados novos, pela moeda da época).

Mas se você pensa que Virgílio foi tão crítico consigo quanto é com seus opositores, enganou-se. Para ele, a acusação - obra do "pérfido" Jose Dirceu - "é uma homenagem que me fizeram": "Já fui secretário-geral da Presidência, com poder de decidir sobre compras da Petrobras, e só acharam essa bobagem".

Sem conseguir apresentar as documentações para comprovar que o dinheiro fora usado nas obras destinadas, Arthur Virgílio se apoiou na aprovação das contas da sua gestão pelo "Tribunal de Contas do Amazonas (argumento pisado e repisado pelo ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf para atestar sua idoneidade). E conseguiu ver o processo arquivado.

Zona Franca

Não pense o leitor que a língua de Arthur Virgílio só é ferina quando se trata de seus adversários. Se os interesses do senador forem contrariados, nem seus correligionários escapam. Que o diga o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em 1997, FHC decidiu estadualizar o poderoso porto de Manaus e demitir o responsável pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Mauro Ricardo Machado Costa, que tinha o apoio do então deputado Virgílio.

Na prática, FHC retirava o poder das mãos do ninho tucano do Amazonas e entregava para o pior adversário político de Arthur Virgílio: o governador Amazonino Mendes (PFL-AM).

FHC se meteu em briga antiga. Desde o fim da década de 1970, políticos locais se especializaram em exercer poder de influência sobre a Suframa, órgão responsável pelo distrito industrial da capital amazonense. Mas só um ano antes da estadualização, em 1996, o chamado uso político da Suframa foi documentado pela primeira vez, quando o Ministério do Planejamento resolveu intervir na administração do órgão e realizar auditorias sobre suas práticas. Descobriu-se que contratos eram superfaturados e que o dinheiro destinado a investimentos (cerca de R$ 30 milhões anuais) era usado para fins tão diversos como pagar passagens de primeira classe para músicos que se apresentavam em Manaus.

Um ano depois, Amazonino Mendes conseguiu convencer FHC a lhe entregar o porto e a Suframa, alegando que os políticos locais ligados ao governo federal estavam tirando proveito da Zona Franca de Manaus. O principal acusado era o então deputado e secretário-geral de FHC, Arthur Virgílio, que devolvia as acusações contra Amazonino.

Mas Arthur Virgílio perdeu a batalha e FHC entregou o controle da Suframa, com seus R$ 13 bilhões de faturamento anuais, a Amazonino. Insatisfeito, o líder tucano mandou bilhete malcriado para o presidente, rascunhou uma carta pior ainda e atacou Fernando Henrique na imprensa, chamando-o de fraco e injusto.

Quer mais hipocrisias?

O senador foi um dos maiores críticos da então ministra da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, quando ela foi chamada à Comissão de Ética Pública do Poder Executivo para explicar sua participação em um encontro evangélico em Buenos Aires com recursos públicos.

Apesar de ter sido um dos mais ardorosos críticos de Benedita, Virgílio já esteve na mesma situação. Ele e outros cinco ministros e um presidente de estatal do governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo escreveu à época a jornalista Dora Kramer, em sua coluna no Jornal do Brasil, Arthur Virgílio foi dos que pior reagiu à ação da Comissão de Ética quando, em fevereiro de 2002, recebeu um pedido de explicações. Virgílio era titular da Secretaria-Geral da Presidência da República e, com seus colegas, freqüentou naquele carnaval camarotes de empresas privadas no sambódromo carioca. "Arthur Virgílio considerou um acidente a admoestação da comissão e tentou dizer que havia pago R$ 2.500 pelo convite. Foi contestado, já que as camisetas da empresa em questão não estavam à venda, pois eram, as próprias, o convite."

Assim age Arthur Virgílio. Condena nos outros os pecados que ele mesmo carrega. E com a língua afiada, acusa primeiro e investiga depois. Mas, como ele mesmo disse em outro artigo na Folha de S.Paulo, de novo para se posicionar contra a abertura de uma CPI, dessa vez sobre o caso do grampo no BNDES, em 28 de novembro de 1998: "Quem leu As bruxas de Salem sabe que a mentira e a caça às bruxas podem servir para imolar inocentes".

Texto reproduzido da Revista Fórum, nº 37, abril 2006
O senador foi um dos maiores críticos da então ministra da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, quando ela foi chamada à Comissão de Ética Pública do Poder Executivo para explicar sua participação em um encontro evangélico em Buenos Aires com recursos públicos.
Não pense o leitor que a língua de Arthur Virgílio só é ferina quando se trata de seus adversários. Se os interesses do senador forem contrariados, nem seus correligionários escapam. Que o diga o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Se Arthur Virgílio considera hoje o caixa 2 - o cerne da crise que assolou o PT - um "escandaloso esquema de corrupção", sua própria conduta não é das mais elogiosas. Hoje a grande imprensa não lembra, mas no dia 19 de novembro de 2000, o estampou uma confissão de Virgílio: "Em 1986, fui obrigado a fazer caixa 2 na campanha para o governo do Amazonas. As empresas que fizeram doação não declararam as doações com medo de perseguição política".